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4 de outubro de 2012
27 de setembro de 2012
É o que faz ter uma mãe que trabalha em casa
Eu: Sabes aonde vamos agora?
Ela: Sim!
Eu: Aonde?
Ela: Sim!
...
Eu: Agora vamos para casa.
Ela: Sim.
Eu: Vamos ter com o gato.
Ela: Sim...
Fica a pensar e 5 segundos depois diz, muito assertiva:
- O gato tá tabalhar!
Ela: Sim!
Eu: Aonde?
Ela: Sim!
...
Eu: Agora vamos para casa.
Ela: Sim.
Eu: Vamos ter com o gato.
Ela: Sim...
Fica a pensar e 5 segundos depois diz, muito assertiva:
- O gato tá tabalhar!
18 de setembro de 2012
Instantâneos aleatórios
que mostram como a minha bebé está a ficar crescida e com um sentido de humor refinado:
Depois da creche:
Eu - Gostaste do teu dia?
Ela - Sim.
Eu - O que fizeste?
Ela - ...
Eu - Pintaste muito?
Ela - Sim.
Eu - Andaste no escorrega?
Ela - Sim.
Eu - Levaste porrada?
Ela- Sim.
...
Depois de uma aula de natação não muito feliz:
Eu - Quem é que se portou tão mal na piscina, quem foi?
Ela (com um sorriso aberto) - A mamã!
...
Já na cama, com o seu macaquinho:
Eu - Dorme bem, bebé. Até amanhã!
Ela - Até amanhã!!
....
Ainda fiquei à porta, mas ela nem choramingou!
Depois da creche:
Eu - Gostaste do teu dia?
Ela - Sim.
Eu - O que fizeste?
Ela - ...
Eu - Pintaste muito?
Ela - Sim.
Eu - Andaste no escorrega?
Ela - Sim.
Eu - Levaste porrada?
Ela- Sim.
...
Depois de uma aula de natação não muito feliz:
Eu - Quem é que se portou tão mal na piscina, quem foi?
Ela (com um sorriso aberto) - A mamã!
...
Já na cama, com o seu macaquinho:
Eu - Dorme bem, bebé. Até amanhã!
Ela - Até amanhã!!
....
Ainda fiquei à porta, mas ela nem choramingou!
7 de setembro de 2012
6 de setembro de 2012
O monstro dos brócolos (ou como fazer um posto cheio de parêntesis)
Dizer que a minha filha come bem não corresponde lá muito bem à verdade. Dizer antes que ela está sempre pronta para comer e que costuma, salvo aqueles dias da breca a que toda a gente tem direito, comer tudo e o que mais houvesse, já se aproxima mais da verdade. Nós, como pais conscientes (?) e adeptos de uma cozinha natural e saudável, controlamos-lhe a ingestão de doces, tentamos convencer os avós a fazerem o mesmo (o que já é mais complicado) e tentamos aliciá-la com iguarias verdes e nutritivas. Até agora temos tido sorte, apesar de já ter pratos preferidos como, por exemplo, qualquer coisa que tenha arroz, recusar qualquer sopa passada (mas se tiver coisas a flutuar já marcha) ou coisas com cenoura (vá-se lá perceber porquê).
Toda a gente costuma ficar muito impressionada quando a vê comer, por não só comer bem, como por já comer sozinha e não falhar muito com a colher à boca. Além disso, não admite que alguém lhe dê comida e, se tentarem fazê-lo, é capaz de haver pratos a voar. Também tem génio, portanto...
Em todas as creches onde já esteve e, infelizmente, já teve em mais creches do que o desejável para alguém com tão pouca idade, foi sempre a bebé que comia melhor, alvo de admiração por parte de educadores, auxiliares e até de outros pais (acho que acabei de inventar aqui alguma coisa...), e sendo, por isso, conhecida como a "brutinha" (a comer, leia-se) ou a "lagartinha comilona" (por causa de um livro que lhe deram na creche por altura do seu aniversário, cuja indirecta eu percebi muito bem, muito obrigada!!).
Antes isso do que dar trabalho a comer, costumo eu dizer. Ou pensar. Na verdade, não sou dotada de muita paciência à hora das refeições. Já basta ter de repetir mil vezes que não se atira a comida para o chão (porque também ela gosta de brincar e experimentar com a comida), não se dá comida ao gato, nem se cospe comida para a roupa da mamã, quanto mais se ainda tivesse de inventar jogos para a distrair e convencer a engolir uma colherada de dez em dez minutos. Tenho sorte, nesse aspecto. É vê-la a comer brócolos (o orgulho do pai) ou a enfardar tomate cru (o orgulho da mãe), a chupar uma fatia de limão (a ocorrência foi devidamente registada!) ou a comer massada de peixe num ápice, enquanto vai soltando gemidos de satisfação. Nessas alturas costumamos ficar a olhar para ela, boquiabertos, sem querer acreditar muito bem por que é que a comida da avó é sempre melhor que a nossa.
Mas adiante.
Servia este post para dizer que a minha filha é a única bebé do mundo que, perante um banquete de arroz de peixe, mousse de chocolate, fruta, bolachas ou um prato de brócolos cozidos, ela se atira aos brócolos e despreza tudo o resto. Ok, ainda não experimentámos com a mousse... Anyway, desafio qualquer pessoa a provar-me que o seu filho também acha que brócolos cozidos são melhores que pizza.
Alguém?
4 de setembro de 2012
Rentreé
Acabou-se a boa vida de férias nos avós. Começa amanhã o novo ano escolar. Escola nova, educadora nova, amiguinhos novos. Por muito medo que isto me meta (mais a mim do que a ela, que ainda não percebeu bem o que a espera), já tinha muitas saudades da nossa rotina familiar. E quem come brócolos com a satisfação com que ela os come, não constitui nenhuma ameaça à harmonia às refeições. Bem-vinda de volta!
3 de setembro de 2012
Diz que vem aí o Outono
![]() |
| Imagem retirada do Pinterest. |
Daqui a dois dias começa a nova escola da minha filha. Daqui a 18 dias começa o Outono. Daqui a menos de 30 dias teremos de devolver a caminha de grades em que ela dorme, porque os donos voltaram a precisar dela, e comprar-lhe uma cama sem grades, daquelas perto do chão, com a grande vantagem de ela poder entrar e sair quando quiser e vir ter ao nosso quarto sozinha, quando lhe apetecer, as vezes que lhe apetecer. Help! Agosto, volta!
2 de setembro de 2012
a filha: vinte meses
18 de junho de 2012
Ou, como lhe chama o pai, Furacão
As pessoas com filhos
acusam-se logo, quanto mais não seja para dizer "O meu também era
assim". Foi por isso que soube que as meninas da loja não tinham filhos e
que, assim que eu saí, devem ter suspirado de alívio por, de facto, assim ser.
Entrei na loja para lhe
comprar uma t-shirt de emergência. Ainda não eram 4 da tarde e já lhe tinha
trocado a roupa 3 vezes. Esgotado o meu stock "take away" e, uma vez
mais, entornada meia garrafa de água corpo abaixo, a última coisa que eu queria
era que, no meio daquilo tudo, ela se constipasse.
Se, até então, já estava
no estado "furacão", assim que entrou na loja entrou no estado "Katrina".
Não houve calças, t-shirts ou sapatos que não vieram ao chão. Até para cima da montra
quis subir e escondia-se atrás (deitava abaixo) dos expositores. Eu, era ver-me
a correr atrás dela e a dizer mil vezes "Não", tentando aparentar uma
descontracção que não sentia e, no meio de tudo, ainda tentando escolher uma
das t-shirts que a menina me ia pondo em cima do balcão. Acabei por escolher 4 porque o meu cérebro parou e riscou o disco...
As pessoas que
entravam riam-se, as meninas da loja achavam um piadão. Até àquele olhar do
"que pestinha" e ao condescendente "deixe estar, nós
arrumamos"... Não valia a pena eu dizer que ela não é sempre assim. Porque
sempre que estamos com amigos ela é amplamente elogiada como uma bebé "tão
calma e tranquila que dá gosto". Na verdade, não tinha de me justificar. E
não me justifiquei. Continuei a minha odisseia de domingo, que o dia ainda ia
só a meio.
Chegada a casa, ela
dormindo estafada da excitação do dia, consegui finalmente tomar banho e
sentar-me no sofá durante 10 míseros minutos em que senti um misto de
esgotamento nervoso e vontade de me autoflagelar. Na verdade, tudo tinha sido
evitável. Toma lá para aprenderes que da próxima fazes melhor. E tudo não
passa do resultado de 9 dias de single parenting que, não me venham com merdas,
não é pêra doce quando se está habituado a dividir a atenção por dois. Numa altura
em que ela começa a desafiar os limites e a perceber que a vida está cheia de
coisas interessantes e proibidas que ela quer ver, sentir e comer, ou que o
sofá é mais giro se der para se atirar dele abaixo, entre duas mil outras
coisas que quem tem filhos sabe exactamente o que quero dizer, as minhas pseudo
tentativas de gentle parenting começam a dar de si. Neste domingo, não só lhe
mandei dois berros, como tive uma vontade louca de lhe dar uma valente palmada.
Não dei, mas tive vontade. Pensamento que logo me envergonhou e me fez querer
redimir-me e falar-lhe a seguir com a voz mais doce do mundo, a tentar
explicar-lhe o porquê de não poder fazer aquilo, e a tentar contrariar o desejo
de rematar com um "fazes o que eu te digo e acabou a conversa!".
Não
quero ser assim. Nós não batemos. Nós não gritamos. Nós tratamos o outro com
respeito e avisamos sempre que vai acontecer alguma coisa. Vou-te pegar ao
colo. Vou-te mudar a fralda. Vamos entrar no carro. Vou-te tirar a chucha. Vais
fazer ó-ó.
Na verdade, nem sempre é
assim. Mas é o que tento(amos) implementar a maior parte das vezes. Quando falha,
porque falha, é porque não somos super pessoas, nem budas, nem gurus do
attachment-helicopter-positive-slow-spiritual-unconditional parenting e mais
porra nenhuma parenting.
Na verdade, apetece-me
mandar todas estas teorias à merda, respirar fundo, e seguir o meu instinto.
Toda a gente falha, toda a gente fraqueja. Há que aceitar, compreender o que nos conduziu até ao
limite da paciência e, para a próxima, tentar evitar chegar lá. E respirar
fundo, bem fundo. Porque, eventualmente, daqui a 10 minutos tudo passa e ela já se está a esconder nas minhas pernas cheia de vergonha de alguém e a precisar que eu a guie nesta vida tão tortuosa.
13 de junho de 2012
A Super Mulher também vai à bola?
Qual urso polar em hibernação, mas menos fofo e em igual perigo de extinção, assim é o meu gosto por futebol: acorda de 2 em 2 anos enquanto a Selecção não perde. (In)felizmente que a coisa não costuma durar muito. É que o pobre do coração não aguenta.
(Assim o diz o meu estado pré-enfarte do miocárdio durante aquele mítico jogo dos penaltis de Portugal-Inglaterra no Euro 2004 e o jogo dos 16 cartões amarelos com a Holanda e no Mundial 2006. Juro, estive assim para cair para o lado de nervos.)
E, já que falamos em futebol, por causa desta brincadeira no Euro, o pai da minha filha tem estado em terras polacas e ucranianas a ver a bola e só voltará daqui a 6 dias. Para além destes 11 dias fora (e não os 10 dias que me vendeu), pouco depois de voltar partirá de novo para se pôr a pedalar o Caminho de Santiago desde França (há quem seja Ironman, há quem goste da borga associada a ajuntamentos internacionais de fãs da bola, e que há quem ache que pode conciliar as duas coisas no espaço de um mês...).
Assim sendo, este é o Mês da
- Ela pensa que o pai dela foi viver para trás da televisão verde e guarda todos os abracinhos só para mim.
- Eu sinto-me a Super Mulher e tenho estado tão ocupada que não tenho tempo para pensar em comida, o que só é benéfico, visto a balança ter deixado recente e inexplicavelmente de ser minha amiga.
- Ele vai chegar cheio de saudades nossas e vai-me compensar o "trabalho" nas 137 noites seguintes em que vai ficar responsável por lá ir se ela acordar.
Só coisas boas, portanto. Mas, mesmo assim, não queria deixar de expressar a minha profunda admiração pelas mães solteiras/divorciadas/sozinhas. É nestas alturas que percebo que vocês são Super Mulheres. A minha vénia. A sério.
11 de junho de 2012
Dos (pais dos) outros miúdos
É minha!
É o que se ouve mais cá
em casa desde há coisa de uma ou duas semanas. Sejam as chaves do carro, o
comando do som, o boneco dela, o boneco do gato, a comida, no feminino, no masculino,
no plural, tudo é "É minha!". A Inês aprendeu há pouco o conceito de
posse e nós estamos no processo de lhe fazer entender que, exceptuando o iPhone
da mamã, tudo é de todos e é passível de ser emprestado a outros. É claro que
ela ainda não percebeu e, se for como a mãe, só o vai fazer lá para os 12 anos…
Este sábado, enquanto
lanchávamos com uma amiga numa esplanada, a Inês foi surpreendida por uma miúda
entre os 2 e os 3 anos, que se chegou à nossa mesa e pegou no brinquedo da
Inês, sem passar cavaco a ninguém. Ora, a Inês, ciosa das suas coisas por
natureza, muito mais quando se vê privada delas sem aviso prévio, desata aos
gritos "É minha!", muito inquieta na cadeira, a olhar para mim com
aqueles olhos de "Vê lá se fazes alguma coisa que ela é maior do que
eu!".
Eu, deparada pela
primeira vez com uma situação destas, fiz o que qualquer pessoa de bom senso
faria e expliquei à Inês que ela podia emprestar o brinquedo à menina e que ela
já lho devolvida. Enquanto isso, fiquei à espera que a mãe da alminha
aparecesse.
A mãezinha lá apareceu, sim, mas só depois de a filha dela ter
fugido com o brinquedo e de a minha ter desatado a correr atrás dela. Fiquei
muito orgulhosa da piquena, não há bullyer que se vá meter com ela na escola,
mas levantei-me, só naquela, não fosse a outra dar-lhe com o brinquedo na tola
(que tinha um cabo mesmo propício a isso). Esta brincadeira ainda demorou algum
tempo. A Inês lá recuperou o brinquedo, mas a outra
matulona não desistiu e insistia em tirar-lho. Eu vigiava a coisa de perto e ia
acalmando a fofa com a minha voz super meiga e doce, mas do que estava mesmo à
espera era que a outra mãezinha se dignasse a deter a filha e a explicar que bullying
em tão tenra idade é feio. Mas, não, ali ficou, impávida e serena, a gemer o
nome da filha de vez em quando, enquanto ia conversando com a amiga e
analisando as unhas das mãos. Estive quase, quase, para lhe perguntar se ela
estava à espera que fosse eu a educar a filha dela, se nunca lhe ensinou que
não se tiram brinquedos a desconhecidos sem se pedir e muito menos a criaturas
mais pequenas do que ela. Foi só quando a minha filha se quis refugiar na casa
de banho (é o que eu digo, a miúda safa-se!) e eu a resgatei e pus um ponto
final à perseguição, que a mãe da outra decidiu acalmar o monstro.
Ora bem, lembrei-me disto
na sequência de uma conversa sobre as fases pelas quais os miúdos passam e da malcriadez dos mesmos (e dos pais dos mesmos).
Acredito que, na maior parte dos casos, os pais têm culpas no cartório. Esta
mulher precisava, claramente, de duas bofetadas na cara balofa para acordar
para a vida e deixar de criar um monstrinho. Em muitos casos, no entanto, acho
que é mesmo da personalidade dos miúdos e que os pais não se podem sentir culpados
por não terem agido em conformidade na altura certa.
Não foi, contudo, o caso
desta mãe. E se a coisa não foi grave nem teve repercussões sérias, a mim
irritou-me o suficiente para estar a falar disto dois dias depois. Irritou-me
principalmente porque não estava preparada para cenas destas, para lidar com a
não educação dos outros ou com a impavidez dos outros pais. Será que, para
proteger os nossos filhos dos outros, temos o direito de chamar a atenção dos
outros miúdos/pais? Se fosse ao contrário, será que eu gostava? Provavelmente
não. Mas não me estou a ver a assistir calmamente à minha filha de 3 anos a perseguir
uma bebé de ano e meio para lhe tirar um brinquedo que não é dela. Basicamente
roubar à descarada. Não, não me estou a ver a fazer isso. Mas, se algum dia
acontecer, por favor, ralhem comigo. E com ela. Mas primeiro comigo.
17 de maio de 2012
Ser mãe suficiente
Sou mãe há quase 17 meses. Sublinho o "quase", porque foi neste quase que a minha filha alcançou mais um estágio de independência: passou do já querer comer sozinha para o já comer sozinha, ponto. E eu, feliz da vida, que já posso finalmente espetar-lhe o prato à frente e ir à minha vida enquanto ela se entretém a levar a colher à boca e a acertar quase sempre. Quando já está satisfeita, arruma a colher no prato, pega nele, levanta-o e diz: "Já está!" muito pronta e arrebitada, mas em jeito ameaçador como quem diz: se não apanhas já o prato, atiro-o para o chão.
Está uma crescida e sai à mãe no mau feitio. Mas uma criança com 17 meses não tem mau feitio. É como dizerem que um recém-nascido com 10 dias já tem manha do colo. Oh senhores, dêem-lhe colo e mimo e deixem-se vocês, sim, de manhas para não mexerem o cu do sofá.
Mas não é por isso que aqui vim hoje.
É por causa desta foto:
Calculo que a maior parte das poucas pessoas que lêem este blogue se hão-de chocar com esta imagem. Outras, as mães que, como eu, deram de mamar até aos 7 meses, hão-de sentir-se ultrajadas não com a foto mas com o título: "Are you mom enough"? Como se só fôssemos mães suficientemente boas se dermos de mamar até o puto entrar na escola.
Eu entro nas duas categorias: sinto-me chocada e ultrajada. A verdade é que esta neocorrente do vamos dar de mamar até não podermos mais me faz impressão. O pai da minha filha não gosta muito que eu diga que acho esquisito que um bebé com dentes ainda mame e tanto mais obsceno e inquietante quanto mais velha for a criança. Diz que é uma decisão individual e que não me cabe a mim criticar, que o obsceno está na minha cabeça e que um bebé não tem qualquer instinto sexual (isto já não foi ele que disse, acho que li em qualquer lado). E ele tem razão, mas a contar pelo número de artigos de mães enervadas por esta capa da TIME, não é um tema lá muito consensual. A verdade é que nós, as mães, temos a mania de nos arrepelarmos sempre que ouvimos uma opinião diferente. Achamos que temos o direito de julgar a forma como outras mães pensam e educam os seus filhos. E achamos, como eu, que nos devemos sentir ofendidas e ocupar o lugar de mártires injustiçadas se alguém ousar insinuar que podemos não estar a cumprir o nosso papel em pleno. Serve-me a carapuça na perfeição. Sou pró em sentir-me mártir injustiçada.
Mas o que me causa realmente urticária é isto de associarem o ser boa mãe com o "attachment parenting". Acaso as outras mães são menos attached? São mais egoístas e desapegadas só porque preferem fazer o desmame mais cedo? Como se eu, por ter dado de mamar só até aos 7 meses, me devesse sentir mal. Como se tudo o resto não bastasse. E as vezes que acordo a meio da noite para a confortar? E o tempo que passo a cantar-lhe canções para adormecer? E as vezes que tive de a acalmar sabe deus como? E as horas passadas a brincar, a rebolar no chão, a fazer de cavalinho e elefante e leão e chão para ela pisar? E o cocó que já apanhei com as minhas-próprias-mãos, senhores? E o vomitado que já limpei? E as vezes que só me apetece sufocá-la de beijinhos e mordê-la e trincá-la? Nada disso conta?
Não, porque não desisti do meu emprego para ficar com ela em casa, porque não continuo a dar de mamar, porque não sou adepta do co-sleeping, claro que não. Porque não quero criar uma pessoa super dependente da mim, insegura, mimada e super protegida, que um dia teria, isso sim, de ir para a escola e aprender a socializar com meninos da sua idade que já estariam mais do que habituados ao mundo selvagem lá de fora e que fariam dela gato-sapato como fizeram de mim. Isto sem falar na necessidade natural que os pais, às tantas, têm de voltar a ter tempo para eles, para o casal, para cada um individualmente e de encontrar um equilíbrio saudável entre si e o(s) outro(s). Mas nada disto é importante, claro que não. O importante é arranjar um banquinho seguro para a criança conseguir chegar à mama de pé.
Aposto que quem escreveu este artigo nem sequer tem filhos.
Está uma crescida e sai à mãe no mau feitio. Mas uma criança com 17 meses não tem mau feitio. É como dizerem que um recém-nascido com 10 dias já tem manha do colo. Oh senhores, dêem-lhe colo e mimo e deixem-se vocês, sim, de manhas para não mexerem o cu do sofá.
Mas não é por isso que aqui vim hoje.
É por causa desta foto:
Calculo que a maior parte das poucas pessoas que lêem este blogue se hão-de chocar com esta imagem. Outras, as mães que, como eu, deram de mamar até aos 7 meses, hão-de sentir-se ultrajadas não com a foto mas com o título: "Are you mom enough"? Como se só fôssemos mães suficientemente boas se dermos de mamar até o puto entrar na escola.
Eu entro nas duas categorias: sinto-me chocada e ultrajada. A verdade é que esta neocorrente do vamos dar de mamar até não podermos mais me faz impressão. O pai da minha filha não gosta muito que eu diga que acho esquisito que um bebé com dentes ainda mame e tanto mais obsceno e inquietante quanto mais velha for a criança. Diz que é uma decisão individual e que não me cabe a mim criticar, que o obsceno está na minha cabeça e que um bebé não tem qualquer instinto sexual (isto já não foi ele que disse, acho que li em qualquer lado). E ele tem razão, mas a contar pelo número de artigos de mães enervadas por esta capa da TIME, não é um tema lá muito consensual. A verdade é que nós, as mães, temos a mania de nos arrepelarmos sempre que ouvimos uma opinião diferente. Achamos que temos o direito de julgar a forma como outras mães pensam e educam os seus filhos. E achamos, como eu, que nos devemos sentir ofendidas e ocupar o lugar de mártires injustiçadas se alguém ousar insinuar que podemos não estar a cumprir o nosso papel em pleno. Serve-me a carapuça na perfeição. Sou pró em sentir-me mártir injustiçada.
Mas o que me causa realmente urticária é isto de associarem o ser boa mãe com o "attachment parenting". Acaso as outras mães são menos attached? São mais egoístas e desapegadas só porque preferem fazer o desmame mais cedo? Como se eu, por ter dado de mamar só até aos 7 meses, me devesse sentir mal. Como se tudo o resto não bastasse. E as vezes que acordo a meio da noite para a confortar? E o tempo que passo a cantar-lhe canções para adormecer? E as vezes que tive de a acalmar sabe deus como? E as horas passadas a brincar, a rebolar no chão, a fazer de cavalinho e elefante e leão e chão para ela pisar? E o cocó que já apanhei com as minhas-próprias-mãos, senhores? E o vomitado que já limpei? E as vezes que só me apetece sufocá-la de beijinhos e mordê-la e trincá-la? Nada disso conta?
Não, porque não desisti do meu emprego para ficar com ela em casa, porque não continuo a dar de mamar, porque não sou adepta do co-sleeping, claro que não. Porque não quero criar uma pessoa super dependente da mim, insegura, mimada e super protegida, que um dia teria, isso sim, de ir para a escola e aprender a socializar com meninos da sua idade que já estariam mais do que habituados ao mundo selvagem lá de fora e que fariam dela gato-sapato como fizeram de mim. Isto sem falar na necessidade natural que os pais, às tantas, têm de voltar a ter tempo para eles, para o casal, para cada um individualmente e de encontrar um equilíbrio saudável entre si e o(s) outro(s). Mas nada disto é importante, claro que não. O importante é arranjar um banquinho seguro para a criança conseguir chegar à mama de pé.
Aposto que quem escreveu este artigo nem sequer tem filhos.
21 de março de 2012
Qualquer semelhança com um babyblog é pura coincidência
A minha filha, 15 meses, aprendeu uma palavra nova, a distinta e nobre palavra "cocó".
Para ela significa qualquer coisa que saia para a fralda, seja em estado líquido ou sólido, mas o interessante é que já começou a avisar quando fez e, melhor que tudo, a avisar quando quer fazer.
Basta uma palavrinha para haver um rodopio cá em casa, ir buscar o bacio e tirar-lhe a roupa toda, tendo o cuidado para não ser demasiado lento nem demasiado rápido, para não a assustar, e há vezes em que ela foge.
99% das vezes ela foge.
Umas vezes resulta, outras não. Ainda no outro dia, pediu, sentou-se, não quis, levantou-se e depois fez no chão. Na realidade, o que ela queria era fazer em cima de mim, mas ainda consegui movê-la dois centímetros. Fiquei baralhada e zangada, mas sem razão. Afinal são 15 meses. Qualquer coisa que ela consiga neste campo é precoce e digno de admiração.
**Na verdade, só esperava começar a preocupar-me com isso lá para os 2 anos. Não sei se estou preparada para começar já a limpar poças no chão ou para a pôr a fazer chichi na rua, em plena Baixa de Algés. Também vou ter de andar munida de saquinhos de plástico, querem lá ver?
Para ela significa qualquer coisa que saia para a fralda, seja em estado líquido ou sólido, mas o interessante é que já começou a avisar quando fez e, melhor que tudo, a avisar quando quer fazer.
Basta uma palavrinha para haver um rodopio cá em casa, ir buscar o bacio e tirar-lhe a roupa toda, tendo o cuidado para não ser demasiado lento nem demasiado rápido, para não a assustar, e há vezes em que ela foge.
99% das vezes ela foge.
Umas vezes resulta, outras não. Ainda no outro dia, pediu, sentou-se, não quis, levantou-se e depois fez no chão. Na realidade, o que ela queria era fazer em cima de mim, mas ainda consegui movê-la dois centímetros. Fiquei baralhada e zangada, mas sem razão. Afinal são 15 meses. Qualquer coisa que ela consiga neste campo é precoce e digno de admiração.
**Na verdade, só esperava começar a preocupar-me com isso lá para os 2 anos. Não sei se estou preparada para começar já a limpar poças no chão ou para a pôr a fazer chichi na rua, em plena Baixa de Algés. Também vou ter de andar munida de saquinhos de plástico, querem lá ver?
15 de fevereiro de 2012
Lana for babies
Quando vamos no carro com a nossa filha de 13 meses, costumamos pôr música infantil. Ela gosta, mexe os bracinhos e fica sempre muito caladinha, o que geralmente é motivo suficiente para aturarmos o CD da Leopoldina do princípio ao fim.
Quando eu vou no carro sozinha com ela nunca ponho música infantil. Ou leva com a Radar ou com um qualquer CD que por lá esteja caído. Ultimamente tem calhado a Lana del Rey, a minha mais recente obsessão.
O resultado é surpreendente. A pirralha fica caladinha, mesmo naquela cadeirinha super-ultra-desconfortável (a cadeira do carro com música infantil é bem mais fofinha e reclinável), e olha pela janela, pensativa... ou lá o que seja. Nas pausas entre as faixas reclama e juro que já a vi mexer os bracinhos ao som da "Radio".
Oh, Lana, cada vez gosto mais de ti.
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