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10 de abril de 2015

Executiva

Preparei os cartões de visita, arranjei um outfit business casual jeitoso que já me fica bem desde que perdi aquele quilograma peçonhento, pedinchei à sogra uma mala adequada à ocasião porque a minha estava cheia de bolor e o site está finalmente online.

Pode dizer-se que já sou uma mulher de negócios. Ao despedir-se de mim à porta da estação, ele avisou-me, em jeito de brincadeira, que não me habituasse demasiado a fins de semana deste, mas ambos sabemos que estou bastante feliz (apesar de estar a ser obrigada a ouvir a RFM porque não trouxe iPod e o menino do lado guincha demasiado alto).

Sei perfeitamente que não vou conseguir abordar as pessoas que me interessam amanhã, na conferência de tradução. Não sou boa a vender-me, penso eu, não me está no sangue abordar potenciais clientes e apresentar-me como a tradutora espectacular que tem um site espectacular e traduz espectacularmente bem. E mesmo se conseguisse, pediria um preço espectacularmente baixo, porque tenho pena que as pessoas gastem muito dinheiro. Sou assim, o que querem. Levo na cabeça constantemente por causa disto e um dia hei-de aprender, eu sei.

Até lá, vou tentar distribuir uns quantos cartões de visita espectaculares e tentar desfrutar ao máximo deste sentimento de me sentir importantemente dona do meu destino.

8 de abril de 2015

Psicotécnicos

Entre ontem e hoje, passei 8 horas a traduzir e legendar um documentário de 46 minutos, daqueles em que está sempre alguém a falar. Feitas as contas à miséria a que está o minuto, ganhei 6,9€ por hora. Há empregadas da limpeza aqui da zona que ganham mais do que isso.

Eu sabia que não devia ter faltado ao dia dos psicotécnicos.

14 de fevereiro de 2015

Algumas regras básicas para tradutores

É preciso dizê-lo com sinceridade: ser freelancer nem sempre é pêra doce. Tudo é muito bonito quando conseguimos organizar o nosso horário e sair às 11 da manhã para ir fazer o buço ou marcar férias para quando nos apetecer sem ter de pedir autorização a ninguém. Mas quando o trabalho aperta, como tem sido nas últimas três semanas, não só não há tempo a perder com coisas que não sejam indispensáveis, como a vida pessoal e familiar acaba por levar por tabela. No entanto, aceitar os trabalhos que nos pedem é, muitas vezes, uma decisão ponderada, muito mais do que uma questão de sobrevivência.
Há vários factores a ter em conta, como a relação custo/benefício, que foi uma das poucas coisas que retive da aula de Economia na pós-graduação de Tradução Económica, talvez por todos os meses lhe achar um sentido prático: será que o retorno financeiro que este trabalho me vai proporcionar compensa os sacrifícios pessoais que vou ter de fazer para o executar? É a tal história do tempo e da liberdade que o dinheiro não compra. Estou a falar, no meu caso em concreto, de três fins-de-semana seguidos em que passo, pelo menos, o sábado a trabalhar, em que cancelo encontros de amigos, em que falto a almoços, em que mando as miúdas para a avó ou com o pai para o centro comercial... As pessoas dizem-me: ser freelancer é assim, tens de aproveitar o trabalho enquanto há. É verdade, principalmente no início, como eu, que ainda nem fez 6 meses que trabalho por conta própria. E mesmo quando tentamos organizar as coisas de modo a meter todo o trabalho durante a semana, há sempre que contar com os imprevistos, com as falhas técnicas, com os programas que empancam, os computadores que avariam. Esta semana, por exemplo, vi-me obrigada a trabalhar no sábado, hoje, porque perdi a tarde de quinta e a manhã de sexta com problemas técnicos. Mas o que me irritou mais nem foi isso. O que me irritou mais foi ser por causa de um trabalho que aceitei sem saber porque o fiz. Aceitei um dos tipos de tradução por causa dos quais me despedi, num software que odeio sobre um tema que odeio, ao preço mínimo aceitável. Estariam reunidas todas as condições para recusar o trabalho. A acrescer a isto, este mês já estou financeiramente relaxada e não precisaria de fazer fretes para pagar as contas. É claro que nunca sabemos como será o mês seguinte e nunca se diz que não a um extra a que recorrer quando o trabalho falta.
Mas aceitei o trabalho quase sem pestanejar. E porquê, perguntam vocês? Primeiro porque tenho o cliente em grande estima. É um cliente que me conhece há bastante tempo, sabe como trabalho, confia em mim e eu, por minha vez, confio nele, conheço a mecânica da casa e sei que pagam a horas. É uma situação win-win e, por vezes, há que fazer alguns fretes para manter os clientes satisfeitos. Mas, em parte, foi também por burrice pura que aceitei o trabalho. É que me arrependi logo porque antevi três dias de grande frustração. Além disso, quando aceitei o trabalho com prazo para terça de Carnaval, esqueci-me que as miúdas não têm escola na terça de Carnaval, logo, teria de terminar o trabalho antes. Quando começaram os problemas técnicos, então, toda eu bufava, porque o trabalho se estava a empurrar exactamente para o dia em que não podia trabalhar. E isto fez-me pensar muito ali na tal questão da relação custo/benefício e em algumas regras básicas para aceitar traduções. São elas:

1 - Nunca negociar prazos sem ter a agenda à frente, especialmente ao telefone, enquanto estamos a caminho de ir pôr as miúdas à escola. São distracções mais do que suficientes para dizermos que sim irreflectidamente.
2 - Nunca aceitar uma tradução sem ver o original primeiro. Quando me disseram que era um catálogo, pensei que podia ser um catálogo com descrições de produtos, com um registo algo comercial e frases publicitárias, coisa que até nem me desagrada muito. Mas não me disseram que era um catálogo daqueles só com listas de produtos e descrições crípticas e abreviadas, sem perceber se pedem o plural, o feminino, o masculino ou o quê. E isso é coisa para, além de exasperar, levar o dobro do tempo. Tempo que já não temos porque não olhámos para a agenda...
3 - Se me disserem que é para usar um determinado tipo de programa que eu odeio, é meio caminho andado para recusar o trabalho, educadamente, com outra desculpa, mas recusar. Nem sempre temos de fazer fretes. Afinal, despedi-me exactamente para não ter de fazer fretes destes, certo? Pois.
4 - Quando, apesar de tudo isto, aceito o trabalho, pois então paciência. Tenho de me aguentar, desenrascar e entregar um trabalho irrepreensível. Acima de tudo, temos de ser profissionais.
5 - Se se aplicar o ponto 4, aplica-se também a lei da recompensa: tirar um dia, uma semana, o resto do mês de folga.

Posto isto, estou seriamente a pensar não aceitar mais nada para além dos trabalhos que já me foram atribuídos este mês e que já me vão dar que fazer, mas não me vão obrigar a trabalhar fora de horas. Queria ver se ainda acabava o quilt da Inês este mês... tenho tudo pronto para o acabar numa tarde de costura... Vou mesmo convencer-me de que isso é mais importante para a minha sanidade mental do que passar mais um sábado a trabalhar...

Porque nem tudo são más notícias, a ver se em breve escrevo sobre as coisas boas de ser freelancer. Porque as há e não são poucas. Valha-nos isso.

4 de janeiro de 2015

Este ano vai ser diferente

Se ainda estivesse a trabalhar por conta de outrem, neste momento (às 16:15 de domingo) estaria a entrar no modo neura porque amanhã recomeça a semana de trabalho, principalmente depois desta época festiva, em que as miúdas ficaram em casa e o pouco trabalho que tive me deu um gostinho de férias. Logo à noite, estaria insuportável, ansiosa e deprimida, simplesmente porque amanhã tenho de voltar ao trabalho, sentar-me ao computador, deixar de fazer as coisas de que gosto para passar o dia a traduzir textos aborrecidos. Iria passar o dia a suspirar, com um mau-humor descomunal e a contar as horas para me ir embora.

Tenho a certeza de que sabem do que estou a falar.

Mas este ano não sinto nada disso. Confesso até que estou ansiosa pela positiva, excitada por finalmente retomar a rotina, expectante para ver que trabalhos me calharão na rifa ou que clientes me contactarão. Não espero ter muito trabalho este mês. Como já aqui disse, Janeiro costuma ser um mês meio parado no mundo da tradução. Mas, em vez de me lamentar, vou investir o tempo naqueles trabalhos que não pagam a curto prazo, como organizar e optimizar o meu sistema de trabalho, preparar notas de honorários e facturas predefinidas, melhorar o meu website profissional para poder, finalmente, mostrá-lo ao mundo (na verdade, já está online, mas ainda está longe de ser perfeito) e preparar uma nova estratégia de marketing dos meus serviços.

É por estas e por outras que não me arrependo da decisão que tomei há uns meses de me tornar freelancer. É claro que, em termos financeiros, um mês com pouco trabalho não augura nada de bom, e mentiria se dissesse que não estou preocupada com isso. Mas aprendi que há outras coisas que compensam a falta de dinheiro para extras, desde que haja dinheiro para o essencial, e isso felizmente não faltará. A liberdade que sinto e a alegria pelo que faço são a melhor recompensa.

Por isso, e porque ainda tenho dúvidas sobre a melhor forma de abordar uma carreira freelance bem-sucedida, contribuí para que o projecto da Monika Kanokova vá para a frente, um livro, intitulado "This year will be different" que reúne entrevistas a mulheres empreendedoras (inclusive a uma portuguesa) que se tornaram freelancers, com truques e dicas para ser bem-sucedida. O sucesso no feminino para quem, como me aconteceu a mim, sente que tem de dar o passo, mas não sabe como ou não tem coragem. Sei, pelo menos, de uma querida leitora que anda a pensar nisto. Toma, é para ti.

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Para saber como contribuir, saibam mais aqui. Eu já tenho o meu exemplar digital assegurado.
Este ano vai mesmo ser diferente.

15 de dezembro de 2014

As Leis de Murphy aplicadas à tradução freelancer (ou ao trabalho freelancer no geral)

Podes passar dias ou semanas sem receber trabalho, ou com aqueles trabalhos de caca que se fazem numa manhã e não trazem nada de novo em termos financeiros, mas sabes que vais arranjar trabalho de certeza quando:
- Já tens trabalho. Não é incomum aparecerem dois trabalhos volumosos ao mesmo tempo (literalmente no mesmo minuto, sei do que falo), ou o volume de trabalho aumentar quando já tens um volume de trabalho considerável;
- A tua filha ficou em casa doente;
- Tu ficas doente ou com uma daquelas enxaquecas de morrer;
- Resolves sair para ir tratar de algum assunto ou, simplesmente, relaxar. Já me aconteceu estar no carro pronta para arrancar, lembrar-me de ir ver o e-mail no telemóvel, pois não o via há 5 minutos, e ter de voltar para casa.
- Quando a tua filha faz anos e tens uma festa para preparar.

É que não falha. 

A Inês faz anos na próxima segunda-feira e, se por enquanto o volume de trabalho está bastante razoável, nem muito nem pouco, assim como se quer, já sei que vai ser mesmo no dia 22 que vou receber aquela proposta. Quanto apostam?

7 de novembro de 2014

Por aqui vai tudo bem

Houve um dia esta semana em que, entre as 10:02 e as 10:05 (não são horas ao calhas), recebi 3 pedidos de trabalho volumosos. Nos primeiros cinco segundos fiz aquilo que qualquer freelancer que acabou de entrar no mercado faria e que se assemelha a algo parecido a uivar de alegria, mas isso foi só até ao sexto segundo em que me caiu a ficha e me lembrei que afinal sou só uma e, sendo só uma, dificilmente me conseguirei desdobrar em mais. É claro que não pensei por um segundo que fosse em recusar nenhum dos trabalhos. São daqueles clientes que pagam e pagam bem, por isso fiz o que qualquer freelancer inteligente faria: tremi um pouco, limpei o suor e pus-me à procura de gente para me ajudar dentro da minha rede de networking, a qual revelou ser surpreendente. No final do dia já tinha cinco pessoas disponíveis para me ajudar, que distribuí pelos vários trabalhos e com quem foi muito fácil acertar tarifas e condições. Duas delas já me enviaram as suas partes com uma qualidade bastante acima da média e as outras têm vindo a dar-me feedback do seu progresso com uma dedicação que não esperava.
Chama-se a isto outsourcing ou necessidade urgente de criar um ficheiro com co-workers e NIBs para pagar a esta gente e um sistema que me lembre dos dias em que acabam os prazos de entrega, porque isto com agenda e post-its já era.
Se calhar temos de fazer um site, diz-me ele.
De modos que isto vai.

30 de outubro de 2014

Nice work

Quais são as probabilidades de sintonizar a Oasis FM e estar, nesse exacto momento, a dar Oasis, a banda? Não gosto nem de uma nem de outra, mas não tive outro remédio senão deixar estar e trautear as partes que toda a gente sabe de cor. And so Sally can wait... É que só podia ser um sinal divino. Um sinal de que as coisas estão a correr bem, os chakras começam a alinhar-se e os astros se conjugam em meu favor.

Esta semana começaram, finalmente, a responder aos meus e-mails, o trabalho começou a chegar em catadupa (ok, quase...), aquele cliente novo gostou do meu trabalho e disse-me "Nice work!", ainda aquele cliente que julgava perdido voltou a lembrar-se de mim e ainda há aqueloutro que acabou por se decidir por mim, entre tantos outros profissionais. Esta semana readquiri uma rotina de trabalho que me agrada muitíssimo, sem pressas, com possibilidade de ir ao café às horas que quiser e as vezes que quiser sem parecer que ando a fugir de ninguém. Nesta semana os dias acabaram com um sentido de dever cumprido e uma satisfação enorme e assentei a cabeça na almofada com a certeza de que no dia seguinte teria trabalho à minha espera, e nos dias a seguir a esse. Nesta semana tudo começou a fazer sentido e os motivos que me levaram a despedir-me de um trabalho fixo e estável vieram finalmente ao de cima para fazer brilhar os meus dias.

Ainda aqui não falei sobre a minha saída da empresa porque não é um assunto fácil, especialmente porque sou lida pelas minhas ex-colegas (olá meninas!) que, com certeza, terão feito o seu juízo de valor sobre as circunstâncias da minha demissão. Não vou estar com grandes explicações sobre a minha saída, mas já era sobejamente conhecido neste blogue que estava descontente com a minha situação, com o tipo de traduções que fazia e a monotonia dos meus dias (podem ler aqui, aqui, aqui e aqui). Sentia que chegara a um impasse a nível profissional (e pessoal) e que, ou mudaria, ou iria passar o resto da minha vida a traduzir as mesmas coisas, sem espaço para novas aprendizagens nem grandes saltos. Um dia fartei-me de me queixar. As circunstâncias em que isso decorreu é que não foram as melhores e passei por um período difícil, de grande incerteza, desconfiança e amargura. Mas já passou, já passou, como tanto canta a minha filha. E depois de umas semanas algo incertas em termos de trabalho, mas que me deram um jeitaço para reorganizar a casa (ainda das mudanças...), estou finalmente a instalar-me confortavelmente no escritório e a trabalhar, para mim, só para mim. Não respondo a chefes, não reporto a ninguém, oriento os meus dias e saio às horas que me apetecer, ainda não me posso dar ao luxo de escolher as traduções que quero fazer (e nem sei se esse dia chegará), mas não me posso queixar nada do que me tem calhado na rifa e o dinheiro, esse malvado que tanta falta nos faz, tem chegado e chegará, certamente, sempre para as coisas mais importantes.

Estou feliz. Tranquila. Animada. E mesmo que voltem aqueles dias vazios em que os e-mails não chegam, não perderei o ânimo. Porque já chega de duvidar das minhas capacidades. Não sei se já aqui disse isto, mas esta coisa do self-employment faz maravilhas à auto-estima. Haviam de experimentar. A sério.

8 de outubro de 2014

A liberdade às quatro da tarde

Para comemorar o meu primeiro dia como freelancer, deixo aqui um artigo que só frisa as coisas boas disto de - gente maluca! - deixar um emprego para a vida e atirar-se à incógnita do self-employment (há coisas que em inglês ficam tão melhor) e que até cria a ilusão de que a malta freelancer tem muito tempo livre. Por exemplo, eu hoje, no meu primeiro dia oficial como freelancer, fui levar as miúdas à escola, fui ao cabeleireiro, vim a casa, trabalhei meia-hora, saí e fui ao ginásio, voltei, trabalhei mais hora e meia, concluí o projecto que tinha para hoje, telefonei à Segurança Social a dar a boa-nova (eles já sabiam, os cuscos!) e agora estou a pensar se vou mudar os lençóis da cama, estender a roupa ou fazer um bocadinho de croché (comecei um poncho para mim que não vos digo nem vos conto) antes de ir buscar as crianças. Mas é claro que isto é só enquanto os trabalhos ainda não chovem, só chegam às pinguinhas. O meu homem diz que eu tenho de saber aproveitar os momentos sem trabalho e é isso que quero aprender a seguir ao MemoQ.
Entretanto, há uma coisa muito importante que a senhora do artigo não frisou, mas que vocês vão perceber muito bem com este exemplo: o meu homem ia sozinho a Bruxelas ver o Cat Stevens, mas já não vai, paciência, porque houve ali um momento em que eu me lembrei que era freelancer e que podia trabalhar em qualquer lado desde que tivesse um computador e ligação à Internet e, pronto, comprei um bilhete espontaneamente sem ter de fazer o odioso choradinho das férias. Ah. Liberdade.

4 de julho de 2014

Tradutor a dias

Fui contactada por uma empresa de tradução que me ofereceu 3 cêntimos por palavra com a justificação de que a grande oferta obriga a baixar os preços. Respondi educadamente que não podia aceitar semelhantes valores com a justificação de que não me é possível apresentar um trabalho de qualidade a esse preço, independentemente da oferta que ande por aí.

Há uns anos tive uma amena discussão com um amigo que ficou escandalizado quando eu lhe disse que trabalhava com empresas que me pagavam 5 cêntimos. Não sabia eu ainda, muito menos saberia ele, que nos tempos que correm dignifiquei-me e elevei a fasquia para bem mais que isso. Calculo que daria outra amena discussão, caso o assunto viesse novamente à baila.

Estamos a falar de uma profissão qualificada, para a qual estudei e me formei e na qual conto com 7 anos de experiência o que não é mau nem bom, mas estou longe de ser uma simples estagiária. E por isso não admito que me queiram pagar menos do que eu pago à minha empregada doméstica. É que, se formos a fazer bem as contas ao que representa o pagamento de 3 cêntimos por palavra ao final de um mês (tendo em conta que se espera que eu traduza, em média, 2400 palavras por dia, sem contar com o tempo dispensado para a revisão e a indispensável leitura final), subtraindo aquilo que um freelancer tem de pagar de IVA, à segurança social, ao seguro de acidentes de trabalho que é obrigado a ter e mais o diabo a sete (férias, direito a baixa que ninguém lhes paga, bla bla bla...), o resultado é bem menos do que recebe a minha mulher a dias. E, se eu acho que ir limpar escadas não é mais ou menos desdignificante do que traduzir, também não acho que traduzir seja mais ou menos desdignificante do que ser consultor, como o amigo lá em cima. E se é para ser mal paga, mais vale ir tratar da casa dos outros que sempre mexo mais o rabo e aprendo a tirar nódoas difíceis.

12 de maio de 2014

Multitasking (ainda disto de trabalhar em casa)

Durante a tarde de expediente, desenhei fadas e figuras geométricas para ela fazer desenhos, liguei-lhe o portátil e deixei-a escrever hieróglifos no Word e na minha agenda, fui buscar-lhe água e bolachinhas, limpei-lhe o rabo e passei-lhe lãs para a mão para "fazer malha", às tantas tive mesmo de a pôr em frente ao ecrã e ir comentando o Manny Mãozinhas. Em loop. "Mamã, olha!", sempre na mesma cena. Três vezes seguidas.

Enquanto isso traduzi. Terminei um projecto e comecei outro. Troquei ideias no Skype com as colegas e debati-me com a teimosia de um programa de tradução. Concentrei-me o melhor que podia, com a consciência de que não me poderei desculpar com a filha se a a tradução não tiver ficado nada de jeito. 

Mas estar de baixa e de licença desde Agosto, voltar finalmente ao trabalho em Maio e, três dias depois, ter de começar já a faltar por doença parasitária da filha (os piolhos foram só o começo) não estava bem nos planos. Assim de manhã foi para o escritório do pai, onde teve imensa gente com que se distrair, e de tarde ficou no "escritório" da mãe. As dores de barriga só voltaram de noite, mas felizmente já está tudo bem outra vez.

18 de junho de 2013

Exercícios de auto-ajuda, parte II

Na minha entrevista de emprego para o lugar que ocupo actualmente, lembro-me de o agora meu chefe me dizer que se tratava de uma empresa de traduções técnicas e, portanto, aquilo que eu ia traduzir seriam manuais e textos técnicos, às vezes tão técnicos que seria impossível perceber do que se tratava, textos chatos e desmotivantes, mas que era mesmo assim e se eu aceitasse o trabalho, tinha de saber o que me esperava. Basicamente, o que ele disse foi: depois não te queixes.

Cinco anos depois da minha entrevista de emprego, nem sempre traduzo apenas textos técnicos. Às vezes calham-me artigos para revistas, cartas e comunicações empresariais, folhetos publicitários ou, do que eu gosto mesmo, textos médicos.  Mas o grosso do trabalho não é isto. Isto é uma benesse que aparece para nos apaziguar o espírito ou porque o chefe sabe que gosto e me dá um bombom no fim de uma semana a traduzir as instruções de montagem da peça daquela máquina que ainda ninguém percebeu o que faz.


Na sequência do post de ontem, venho hoje (tentar) identificar as origens do meu queixume. E é mesmo disto que me queixo. Da monotonia e da impossibilidade de dar asas à criatividade e de aprender sobre temas diferentes, ou mesmo temas interessantes. Muitas vezes penso que, se fosse trabalhar para outra empresa, teria certamente outro tipo de textos à disposição e poderia aprender sobre outras coisas, aumentar os meus conhecimentos e tornar o meu dia mais interessante. Mas depois lembro-me que já trabalhei noutra empresa e a coisa não correu bem. Às vezes penso ainda que deveria enveredar pelo trabalho independente, para poder organizar o meu tempo como melhor me convém e poder escolher o tipo de textos que quero traduzir. Mas sei bem que isso é uma falsa ilusão. Sem ter um mealheiro para me aguentar durante os primeiros tempos, não me atrevo a deixar o conforto de ter as férias pagas e o ordenado fixo ao fim do mês, o horário certo e a certeza de que sou paga em caso de doença e não tenho de andar a prestar contas constantes à SS e às Finanças. Às vezes penso ainda que, do que gostava mesmo, era de ser criativa e trabalhar com as mãos, costurar e fazer coisas giras, ir vender as minhas peças para feiras e fazer uma vida ambulante. Mas depois caio na real: eu não faço coisas giras com as mãos, eu não quero estar ao frio e à chuva a vender malas de pano e não quero ter uma vida ambulante, muito obrigado. Mas que raio de ideia. Tanto que costurar para mim é um hobby que até anda meio adormecido e nunca, mas nunca, poderá ser um meio de subsistência. Eu não sou uma boa costureira ou fazedora de manualidades, o que quer que isso seja, eu trabalho com letras e palavras, é o que sei fazer e é do que gosto mesmo. Ponto final.

Posto o que não me resta mais nada senão aguentar-me à bomboca, mudar a mentalidade e colar um post-it no computador com os cinco pontos do último texto que me fazem ficar feliz por ter o emprego que tenho. Dito assim, parece que caí no conformismo, na resignação. Mas eu chamo-lhe antes "aprender a ficar satisfeita com o que tenho, manter os pés bem assentes na terra e tirar partido do melhor que a vida tem para me oferecer". E não há razão para não aspirar por um aumento, mesmo sabendo que ninguém dá aumentos a grávidas... Não é por isso que me vou desleixar e deixar de apresentar bons resultados.

Na Alemanha tinha um trabalho muito stressante com uma chefe com quem tinha uma relação amor/ódio e que me desgastou muito nos três anos que lá estive. Para conseguir sobreviver aos dias, arranjei uma estratégia: imediatamente a seguir ao trabalho, tinha encontros marcados, ia fazer os meus hobbies (na altura andava a pintar cerâmica), ia ao cinema, jantar com amigos, tinha objectivos pessoais a cumprir que me davam alento para sair do trabalho bem-disposta e com vontade de viver, sem pensar que no dia seguinte teria de voltar ao trabalho. Basicamente ajudavam-me a esquecer o dia de merda que tinha tido. É uma boa estratégia, funciona mesmo.

Outra boa estratégia é tornar o dia de trabalho mais aprazível, como tornar as horas de almoço mais interessantes, indo nadar à hora de almoço, por exemplo (tenho uma piscina a 4 minutos de casa!), ou passar a almoçar com pessoas diferentes, ouvir bandas novas enquanto trabalho e, assim, descobrir música nova, e limitar o uso da Internet para fins recreativos aos tempos de pausa (para quem trabalha em casa e não tem ninguém a controlar, isto é uma tarefa bem difícil, mas não impossível, e posso dizer que já fiz grandes avanços a este nível!)

Para aqueles trabalhos de cortar os pulsos fiz uma playlist de sobrevivência com música mais enérgica para me ajudar a manter-me desperta. Também funciona.

Mas o essencial é mesmo manter uma atitude positiva e deixar de reclamar por vício (como se falava na caixa de comentários do post anterior). Não quer dizer que feche as portas a novas oportunidades ou que deixe de aceitar trabalhos interessantes por fora. Mas numa altura em que o país está como está e com um segundo bebé a caminho, acho que o caminho passa mesmo por dar graças pelo que tenho, porque o que tenho é muito bom e queixar muito envelhece. Há lá argumento melhor?

17 de junho de 2013

Exercício de auto-ajuda, parte I

Não é novidade nenhuma que estou a passar por uma crise existencial no trabalho. Já há uns tempos desabafei aqui as minhas frustrações, mas na verdade a culpa não se deve só à falta de criatividade inerente à tradução técnica e à rigidez imposta pelos clientes. A verdade é que eu me queixo sempre muito e o queixume da última sexta-feira me irritou um bocado, mesmo tendo partido de mim. Sou uma eterna insatisfeita, não há nada a fazer. Ou há?


Vamos a ver: 

1. Eu gosto do que faço. Faço isto há 6 anos, 5 dos quais na mesma empresa. É o meu recorde de sempre. Foi mais ou menos para isto que eu estudei, mas se formos a ver bem, os cursos de Línguas e Literaturas Modernas são dos cursos mais versáteis que há: tanto podem sair fornadas de professores, tradutores e secretárias, como empregados de mesa na Pastelaria Suíça e mulheres-a-dias em casas de diplomatas alemães. Mas, bom, isto de fazer aquilo para que se estudou só é importante para a minha mãe, portanto vejo isso apenas como uma feliz coincidência, bastante útil na altura de apresentar credenciais.

2. À parte de gostar do que faço, gosto dos meus chefes e dos meus colegas. Apesar de trabalhar em casa e só os ver de três em três meses, quando vou ao escritório sou sempre bem recebida, dou-me bem com os meus colegas e só tenho pena de nunca ter conseguido estreitar a ligação com alguns. Os meus chefes são os chefes mais porreiros que há, e tenho a certeza que nunca vou encontrar chefes tão compreensivos e descontraídos.

3. Até agora, reúno duas das condições essenciais para ser feliz no trabalho: gostar do que faço e ter bons relacionamentos no trabalho. Mas eu não trabalho no escritório, trabalho em casa. E isto envolve uma disciplina mil vezes maior. Confesso que às vezes me distraio, confesso que às vezes tenho de lutar contra mim mesma para me concentrar, confesso que é tentador ligar o Skype no telemóvel e alargar a hora de almoço, fazendo de conta que já estou no "escritório". Mas a minha experiência de vida diz-me que a mentira é curta e que seria sempre nessas alturas que o meu chefe me iria mandar uma mensagem no Skype a pedir qualquer coisa urgente para daí a 10 minutos. Por isso, posso dizer de boca cheia que nunca lhes minto, que cumpro o meu horário escrupulosamente e que fico roída sempre que me contactam quando estou na minha pausa do café, pausa esta a que tenho todo o direito e me faz muita falta. Isto para dizer que os meus princípios acabam por falar mais alto do que a minha preguiça, portanto até nesse campo não me posso queixar.

4. Então do que me queixo eu, afinal? Do salário? Bom, apesar de desde que engravidei, há 3 anos, nunca mais ter tido um aumento (e antes disso tinha sido aumentada três vezes em dois anos) e agora, com uma nova gravidez já anunciada, a licença de maternidade que se avizinha e a redução de horário a que tenho direito até ao primeiro ano de vida do bebé, bem que posso esperar por novo aumento até daqui a outros três anos. Mas, como o homem da casa bem gosta de me lembrar, fui agraciada com a vinda para casa que, mesmo não saindo dos bolsos e da iniciativa da empresa, acaba por ser um aumento de 150 euros, que era mais ou menos o que eu gastava por mês em gasolina. E, vendo bem, ganho acima da média do que se costuma pagar por aí aos tradutores internos. Portanto, não, nem neste campo me posso queixar muito.

4.a) Posso mudar-me para as Bahamas sem ter de me despedir, desde que consiga conciliar o fuso horário com o horário de expediente português. OK, se calhar as Bahamas não foram um exemplo feliz...

5. E as responsabilidades? Bom, acho que é aí que a porca começa a torcer o rabo. Antes de engravidar, fui promovida a revisora. Revi umas coisas e tal, andava feliz, mas ao mesmo tempo muito insegura com medo de falhar, mas não acho que a coisa tenha corrido mal, tanto que os trabalhos que saíam directamente das minhas mãos raramente vinham com reclamações, pelo menos naquele curto espaço de tempo. Depois meti baixa, tive o bebé e quando voltei, há quase dois anos, se revi dois trabalhos foi muito. O meu marido, o meu guru da vida, disse-me para falar com os meus chefes, perguntar-lhes o que havia mudado, se era a qualidade do meu trabalho que decaíra, mas eu, com medo de uma resposta positiva ("sim, desde que és mãe deixaste de ser boa profissional"), acabei por nunca ganhar a coragem de falar com eles sobre isto. E o tempo foi passando. Sinto que fui relegada para segundo plano, para a tradutora que é fiável e boa para traduzir certo tipo de textos, aquela que desenrasca em época de férias e em quem podemos confiar, mas que não é suficientemente boa para lhe confiarmos certo tipo de clientes ou textos. E isso entristece-me. É claro que o facto de estar em casa também ajuda à não promoção a revisora, longe da vista longe do coração, e nem pensar em pôr uma funcionária que trabalha em casa a contactar directamente com os clientes. Do ponto de vista da entidade profissional, percebo isso perfeitamente. E, vendo bem a coisa, eu não tenho perfil para contactar com clientes, prefiro estar atrás das cortinas e fazer o meu trabalhinho em paz. Por isso, é capaz de nem ser tão mau assim e estar bem adaptado às minhas necessidades.

Então, mas afinal de que porra é que eu me queixo mesmo???

(to be continued)



14 de junho de 2013

Motivação

Sabem quando voltam ao trabalho, depois das férias grandes, cheios de energia (...), com vontade de revolucionar e fazer mais e melhor e com apetite por novas e desafiadoras experiências, mas, assim que ligam o computador, percebem que, afinal, nada mudou, os projectos que vos atribuíram são os mesmos de há demasiado tempo, contribuindo para que a vossa motivação por novas e desafiadoras experiências vá pelo cano ao fim de pouco mais de duas horas?
Pois.

26 de fevereiro de 2013

Na boca do crocodilo

Retirado daqui.

Val.nom.est.ar compr."Esper.p/peç"

Até parece latim, mas não é. Isto foi o que resultou da tradução de uma frase completa, originalmente em alemão, depois de aplicar a delimitação de caracteres imposta pelo cliente, esse ser estranho e maniento. O processo para verificar a delimitação é bastante moroso, pois implica que aplique a fórmula em cada célula individual, sendo que, para este trabalho em concreto, estamos a falar de, em média, largas centenas de células por ficheiro. São 8 ficheiros. O maior deles tem 2832 linhas.
Mas prometo terminar este texto antes de dar um tiro na cabeça.

E quem vai ler, ou melhor, perceber uma frase destas? Pois, não sei. Nem sequer sei em que visor de que maquineta é que é suposto isto aparecer. Provavelmente uma embaladora de garrafas ou uma máquina de termocolagem, que é o que me costuma calhar na rifa.

Isto é o meu trabalho,  a maior parte das vezes. Não é tradução. É contagem de caracteres e invenção de abreviaturas. De vez em quando lá aparece uma tradução médica, que eu adoro, ou a revista bimensal de arquitectura, onde costumo atingir o nirvana. Mas as traduções que exigem que mais puxe pela cabeça são as que têm prazos mais (ridiculamente) apertados, ou seja, mais propensas a causar crises de stress. Lá se vai o nirvana.

Muitas vezes me pergunto porque é que ainda não mudei de emprego. Uma vez por ano costumo ter uma grande crise profissional-existencial, longas conversas com o homem da casa que me faz sempre ver porque é que eu tenho um trabalho e uma vida espectaculares, mas, nunca acreditando nele, lá vou eu a uma ou duas entrevistas. Mas nunca nada que me encha as medidas. Porque, na verdade, eu não sei o que fazer para além disto. E porque há sempre a esperança (e a possibilidade) de fazer, nas horas vagas, uma tradução jurídica ou de carácter empresarial. E disso eu gosto e nem sinto o passar do tempo. E depois há os meus chefes. Que são, possivelmente, os chefes mais porreiros do mundo. E o facto de trabalhar em casa. Se eu fosse trabalhar para outro sítio, como raio é que poderia fazer máquinas de roupa à hora de almoço?

De qualquer maneira, é nestas ocasiões em que costumo pensar naqueles trabalhos que ninguém quer ter, para me dar algum ânimo nos dias em que só me apetece chorar e dar murros no Excel. Esta lista é um bom exemplo dos piores trabalhos do mundo. Mais sugestões para incluir no post-it a colar no ecrã ao 14º dia de desânimo?


P.S.- E dispenso comentários do género "Ao menos tens trabalho". Como me disse uma amiga há pouco tempo, não temos de gostar do trabalho que temos e não é por outros estarem no desemprego que temos de dar graças diárias por fazermos aquilo de que não gostamos. Eu gosto do que faço. Dois dias por mês. Por isso, nos outros 20 dias costumo sonhar em ter dinheiro para me poder dedicar àquilo que realmente me dá prazer. Que é? Ah, isso agora.

7 de fevereiro de 2013

Mãos frias... coração quente?

A pior parte de trabalhar em casa é o frio.
A casa onde vivo actualmente não é particularmente fria. Na verdade, de todas as casas onde já vivi é capaz de ser a menos fria (à excepção das casas na Alemanha sempre bem aquecidas à temperatura "t-shirt"). Mas quando não se tem ar condicionado como havia no escritório e se está sentado ao computador durante 4 horas, não há parte do corpo que não comece a congelar, desde as solas dos pés à ponta do nariz.
As mãos são as mais afectadas porque são as únicas que não posso aquecer sem que isso afecte o meu rendimento. Já experimentaram teclar de luvas? Pois.
Portanto, do que eu preciso é de uma coisa assim:


Os detalhes do projecto estão aqui. Só preciso de alguém que saiba tricotar e se disponibilize a fazer umas. Eu pago!!!

P.S.- Se souberem de moldes para aquecedores de nariz, também agradeço.

7 de dezembro de 2012

Gosto = agrado, prazer, vontade, satisfação



Sempre que tenho de ir desencantar o dicionário de sinónimos para uma tradução, lembro-me por que é que escolhi esta profissão. 

20 de novembro de 2012

Trabalhar no duro*


*Este título refere-se a mim, que tirou esta fotografia e que trabalhou concentradamente enquanto os homens da casa se uniam para me tentar à procrastinação.

15 de junho de 2012

Dobrador de pessoas


E-mail ao Centro de Terminologia Europeu IATE, uma fonte que, lá por ter Europeu no nome, não quer dizer que seja fidedigna.

Dear Sirs,
The Portuguese Translation for the entry “parachute packer” [1567401], [en] is somewhat funny. If a parachute packer refers to a person skilled in stowing parachutes, is definitely not a “people packer” as implied in the offered translation “dobrador de pessoas”. I would suggest something like “pessoa responsável por dobrar paraquedas”.
Thank you for your time.
Best regards,

9 de abril de 2012

One week stand*

Não sei como pude pensar que, lá por ter andado uma semana a traduzir acordos empresariais e tratados sobre corrupção, o meu trabalho se podia ter transformado, assim de repente, numa coisa super ultra interessante.
Wrong!
Voltei aos parafusos e, melhor ainda, a parafusos que não existem...
Só pode ser paga por ter caído no erro de me motivar.

* with Mrs. Motivation.

9 de março de 2012

A semana foi assim

Desaperte o parafuso. Volte a apertar o parafuso.
Desenrosque o parafuso. Volte a enroscar o parafuso.
Desatarraxe o parafuso. Volte a atarraxar o parafuso.

E pior: para português do Brasil.



Mas do que é que eu tenho medo? De arriscar e não conseguir pagar as contas? Mas quem é que quer saber disso? Quem??