23 de maio de 2012

Mãos de fada

Sempre me considerei totalmente desprovida de talento para as artes manuais, completamente inapta e incompetente para os lavores, bricolage, desenho, pintura e afins. As tentativas da minha mãe de me introduzir ao mundo das fadas do lar foram pelo cano quando eu, nos verões dos anos 80, queria fazer tudo menos passar as tardes no meio de velhas e queques (como eu chamava às meninas bordadeiras) a fazer ponto cruz. As poucas coisas que fiz, incluíndo a blusa que, já adulta, cosi no curso de iniciação à costura, roçam aquilo que se pode designar de trapalhão. Não roçam, superam. Remates mal feitos, chuleios esquisitos e costuras tortas, eu sou o que se pode chamar A Rainha das Trapalhonas! Isso a juntar ao facto de ter um ataque de nervos de cada vez que começava um projecto novo porque as instruções e os moldes só podiam estar em chinês, quase me levou a desistir da brincadeira e a procurar um hobby menos cansativo, como... ver televisão.
Até há dois dias.
De repente, comecei a fazer coisas giras, um lencinho para o pescoço, um cinto, uma saia para uma boneca, um porta-chaves. Tudo do mais básico que há, mas ficou bem feito o que, passo a aliteração, foi um feito!
Tinha de aproveitar a maré e, graças a uma noite em que os planos me saíram trocados e me vi sozinha em casa sem marido nem filha com a noite toda por minha conta, decidi pôr mãos à obra e fazer este vestido que já andava a namorar há alguns meses.
Mais ou menos duas horas depois (a contar com o desespero de fazer a conversão das medidas e executar os moldes), o produto final deixou-me em estado de histeria pura. Não conseguia acreditar que aquilo me tinha saído das mãos e que eu, A Trapalhona, tinha conseguido fazer costuras francesas na perfeição e nem uma, repito, nem uma costura torta!


Foi o que bastou para me ir deitar com este livro e escolher o próximo modelo! Ou se calhar é melhor fazer outro igual. É que este, não se nota, mas saiu assim um bocado curto, um vestido a dar para o mini-vestido a dar para a túnica a dar para a blusa. Enfim, para a próxima há-de sair perfeito!


(E com tecidos destes se não dá vontade de fazer qualquer coisa? Mas mesmo qualquer coisa?)

17 de maio de 2012

Red carpet




"A escolha deixou um pouco a desejar quando pensamos na imagem estonteante de bad girl meets pin up que marca os videoclips de Blue Jeans e Video Games."

Esta gente nunca está satisfeita, irra.

Ser mãe suficiente

Sou mãe há quase 17 meses. Sublinho o "quase", porque foi neste quase que a minha filha alcançou mais um estágio de independência: passou do já querer comer sozinha para o já comer sozinha, ponto. E eu, feliz da vida, que já posso finalmente espetar-lhe o prato à frente e ir à minha vida enquanto ela se entretém a levar a colher à boca e a acertar quase sempre. Quando já está satisfeita, arruma a colher no prato, pega nele, levanta-o e diz: "Já está!" muito pronta e arrebitada, mas em jeito ameaçador como quem diz: se não apanhas já o prato, atiro-o para o chão.
Está uma crescida e sai à mãe no mau feitio. Mas uma criança com 17 meses não tem mau feitio. É como dizerem que um recém-nascido com 10 dias já tem manha do colo. Oh senhores, dêem-lhe colo e mimo e deixem-se vocês, sim, de manhas para não mexerem o cu do sofá.
Mas não é por isso que aqui vim hoje.
É por causa desta foto:

Calculo que a maior parte das poucas pessoas que lêem este blogue se hão-de chocar com esta imagem. Outras, as mães que, como eu, deram de mamar até aos 7 meses, hão-de sentir-se ultrajadas não com a foto mas com o título: "Are you mom enough"? Como se só fôssemos mães suficientemente boas se dermos de mamar até o puto entrar na escola.

Eu entro nas duas categorias: sinto-me chocada e ultrajada. A verdade é que esta neocorrente do vamos dar de mamar até não podermos mais me faz impressão. O pai da minha filha não gosta muito que eu diga que acho esquisito que um bebé com dentes ainda mame e tanto mais obsceno e inquietante quanto mais velha for a criança. Diz que é uma decisão individual e que não me cabe a mim criticar, que o obsceno está na minha cabeça e que um bebé não tem qualquer instinto sexual (isto já não foi ele que disse, acho que li em qualquer lado). E ele tem razão, mas a contar pelo número de artigos de mães enervadas por esta capa da TIME, não é um tema lá muito consensual. A verdade é que nós, as mães, temos a mania de nos arrepelarmos sempre que ouvimos uma opinião diferente. Achamos que temos o direito de julgar a forma como outras mães pensam e educam os seus filhos. E achamos, como eu, que nos devemos sentir ofendidas e ocupar o lugar de mártires injustiçadas se alguém ousar insinuar que podemos não estar a cumprir o nosso papel em pleno. Serve-me a carapuça na perfeição. Sou pró em sentir-me mártir injustiçada.

Mas o que me causa realmente urticária é isto de associarem o ser boa mãe com o "attachment parenting". Acaso as outras mães são menos attached? São mais egoístas e desapegadas só porque preferem fazer o desmame mais cedo? Como se eu, por ter dado de mamar até aos 7 meses, me devesse sentir mal. Como se tudo o resto não bastasse. E as vezes que acordo a meio da noite para a confortar? E o tempo que passo a cantar-lhe canções para adormecer? E as vezes que tive de a acalmar sabe deus como? E as horas passadas a brincar, a rebolar no chão, a fazer de cavalinho e elefante e leão e chão para ela pisar? E o cocó que já apanhei com as minhas-próprias-mãos, senhores? E o vomitado que já limpei? E as vezes que só me apetece sufocá-la de beijinhos e mordê-la e trincá-la? Nada disso conta?

Não, porque não desisti do meu emprego para ficar com ela em casa, porque não continuo a dar de mamar, porque não sou adepta do co-sleeping, claro que não. Porque não quero criar uma pessoa super dependente da mim, insegura, mimada e super protegida, que um dia teria, isso sim, de ir para a escola e aprender a socializar com meninos da sua idade que já estariam mais do que habituados ao mundo selvagem  lá de fora e que fariam dela gato-sapato como fizeram de mim. Isto sem falar na necessidade natural que os pais, às tantas, têm de voltar a ter tempo para eles, para o casal, para cada um individualmente e de encontrar um equilíbrio saudável entre si e o(s) outro(s). Mas nada disto é importante, claro que não. O importante é arranjar um banquinho seguro para a criança conseguir chegar à mama de pé.

Aposto que quem escreveu este artigo nem sequer tem filhos.

16 de maio de 2012

Nova marca amiga dos animais e do ambiente

É uma lufada de ar fresco ver o símbolo Cruelty Free na embalagem de um creme comprado na farmácia (e, infelizmente, com o preço de um produto vendido na farmácia...).
Experimentei as amostras que me deram, gostei, e quando vi "Contra os testes em animais" escrito no exterior da embalagem, não pensei duas vezes. É tão bom ter uma alternativa aos cosméticos biológicos que cheiram a terra e deixam a pele ressequida... É claro que a senhora da farmácia ainda me tentou impingir um creme da Vichy, mas levou logo com uma ensaboadela que até andou de lado.



Chamam-se Caudalie e são cosméticos naturais à base de grainhas de uva (diz que são um poderoso anti-oxidante) sem parabenos, sem lauril sulfato de sódio (aquela coisa que faz espuma e cancro ao mesmo tempo), ftalatos, óleos minerais, corantes nem, mais uma vez, produtos animais. A criadora da gama, Mathilde Thomas, diz no site: "Concebo os meus produtos para todas as mulheres que, como eu, não querem ter de escolher entre eficácia e produtos naturais, entre beleza e ecologia." Mas era mesmo disto que eu andava à procura! Senhora Matilda, muito obrigada!

7 de maio de 2012

32*

E de repente deu-se o clique. Ontem não foi apenas o dia do meu aniversário. Ontem fiz 32 anos. 32. Glup.


* ou já posso começar a dizer 23?

2 de maio de 2012

Mitos da maternidade

#1 - Ao terceiro filho temos de comprar uma carrinha de 7 lugares. (visto aqui)


Deveria ter começado esta série de posts por dizer que não, não estou grávida do segundo e não sei que boato anda a correr por essas redes sociais.

Em modo de confidência, a verdade é que gostava e faço planos para ter um segundo e até mesmo um terceiro (oh meu deus), porque não, casa cheia e paz na velhice garantida (com netos e pelo menos um dos filhos a gostar de mim o suficiente para me ir visitar ao lar mais do que uma vez por ano), e ser uma empresária de sucesso, linda e vaporosa, sempre com as unhas pintadas e o cabelo arranjado, com tempo (e dinheiro) para ir comprar trapinhos jeitosos e ainda tempo (e vontade e dinheiro) para ir ao ginásio e bambolear-me na rua sem que ninguém perceba que já pari 3 vezes. Ah sim, e a parte da energia. E do amor e do sexo e dos amigos e da energia.

Há mais alguém aí que acredita que é possível ou é melhor começar já a tomar cápsulas de ginseng?

24 de abril de 2012

Happy ending

Desde domingo que sinto que a minha coluna é uma espécie de jogo de legos construído por uma criança de 3 anos.
Da última vez que senti isto, há coisa de 5 ou 6 anos, acabou por passar por si, apesar do início bastante doloroso e assustador (acordar de manhã e não me conseguir mexer para desligar o despertador ou telefonar a chamar os bombeiros foi o suficiente para um mini-ataque de pânico). Mas na altura não tinha uma criatura de 12 quilos para pegar ao colo, transportar e virar frangos (ao que a maior parte das pessoas chama mudar a fralda).
Posto isto, e porque a criatura resolveu começar a pedir colo só porque sim e eu não sou capaz de negar colo a gente mais pequena do que eu, resolvi contactar um(a) massagista.
Ora, como nunca fui menina de SPAs ou massagens, não sabia por onde começar e o único contacto que arranjei só me podia atender daqui a 3 semanas... Nessa altura, o meu legos já teria caído ao chão e virado brincadeira para o gato.
Felizmente nestas coisas há sempre alguém que conhece alguém que conhece alguém que já foi a uma massagista que "faz milagres". Deram-me o nome e o telefone, mas, perante o nome um pouco exótico da senhora e do entusiasmo com que me falaram dela ("faz milagres"), duvidei que se tratasse realmente de uma massagista séria daquelas que é capaz de desfazer nós nas costas sem happy ending. Perdi algumas horas nestas deambulações. Por fim, depois de, hoje de manhã, ter dado o derradeiro jeito ao pescoço ao tirar uma camisa do roupeiro e de ter temido pela minha mobilidade, lá me decidi e telefonei.
A senhora com nome exótico e fama (na minha cabeça) de brasileira* perita em happy endings para homens de negócios cheios de torcicolos lá em baixo, é afinal uma respeitada portuguesa com voz de cinquentona decidida que logo se prontificou a arranjar-me as costas ainda hoje. Bem-dito contacto.
E haja, sim, o happy ending prometido: sair de lá com as costas e o pescoço como novos.

*maldito preconceito.

12 de abril de 2012

Teoria da desarrumação #1

Quando penso que estou a conseguir dominar a fera (aka cesto da roupa suja), descubro uma mala que ainda não tinha aberto depois de uma viagem qualquer.

9 de abril de 2012

One week stand*

Não sei como pude pensar que, lá por ter andado uma semana a traduzir acordos empresariais e tratados sobre corrupção, o meu trabalho se podia ter transformado, assim de repente, numa coisa super ultra interessante.
Wrong!
Voltei aos parafusos e, melhor ainda, a parafusos que não existem...
Só pode ser paga por ter caído no erro de me motivar.

* with Mrs. Motivation.

4 de abril de 2012

Fato de treino (só falta o fio de ouro)

Desde que comecei os meus treinos de corrida à hora de almoço, e já lá vão 4 disciplinadas sessões, que me visto a rigor logo de manhã. Assim não há desculpas e sou mesmo obrigada a ir correr para me livrar da roupa de desporto.
O pior é quando vou beber café a meio da manhã e me cruzo com as dondocas do prédio (são 18 andares de muita gente empertigada). Como geralmente aproveito a ida à rua para levar lixo para reciclagem, sinto que me confundem sempre com uma mulher a dias.
Mas se pensarmos que há mulheres a dias que ganham mais do que eu à hora, menos mal. Podiam confundir-me com uma tradutora. Isso é que não.