Este fim-de-semana:
Abdominais: 0
Exercício: 0
Meditação: 0
Copos de vinho: 2
Imperiais: 1
Cheesecake: 1
Tarte de pastel de nata: 1
Choco frito, batatas fritas, marisco e recheio de sapateira: 1 dose de cada
Tostinhas com paté: entre 10 a 30
Resultado: a nossa quaresma mudou de nome pela quarta vez. Agora chama-se quaresma flexível-barra-farsolas.
(Do lado ali do homem a coisa foi um pouco mais vergonhosa. Fiquemos pelos meus números...)
23 de fevereiro de 2015
20 de fevereiro de 2015
Quaresma infiel-qualquer-coisa - Dia 3
Pus o despertador mais cedo, aumentei o número de abdominais diários de 150 para 250, vou de dez em dez minutos à casa-de-banho por causa da água que bebo, desde terça-feira que não como um doce e comecei a ler um livro sobre gestão do tempo, que eu cá não brinco em serviço.
18 de fevereiro de 2015
Quaresma... e cá vamos nós (3.ª edição)
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| Foto retirada daqui. |
Começa hoje a terceira edição da Quaresma Infiel que o ano passado mudou de designação para Quaresma Alternativa e este ano já tem outro nome, mas entretanto já me perdi...
Para os que acabaram de chegar ao meu blogue, a nossa quaresma não tem nada de religioso nem de transcendente. É apenas uma altura no ano, com princípio e fim estabelecido por alguém que não nós e que, portanto, não olha a inconveniências (se formos a ver, não há 40 dias seguidos no ano que dêem jeito para implementar regras sem as quebrar), durante a qual vamos, eu e o homem da casa, estar totalmente focados em tratar do corpo e da mente.
Os objectivos não mudam muito das edições anteriores, mas há uma ou outra mudança. Estes são os objectivos dele:
Corpo - Exercício
Correr 5km (ou nadar 1500m, ou pedalar 15km), todos os dias
Fazer 100 burpees por dia, todos os dias
-----------------------
Corpo - Alimentação
Jejuar 1x por semana (só água/chá)
Este ano, ao décimo dia, decidi incluir o Whole30
-----------------------
Mente - exercício
Meditação, todos os dias
Mente - Alimentação
Zero televisão, excepto documentários
Ler um livro (não ficção)
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Complemento:
Escrever 500 palavras por dia, todos os dias
Praticar nova língua estrangeira
Estes são os meus:
Corpo - Exercício
Meia hora de exercício por dia, seja no ginásio, seja piscina, seja correr, sem quilomentragens definidas...
Fazer 100 abdominais por dia, todos os dias (ele ainda está a convencer-me em aderir aos burpees, para além dos abdominais)
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Corpo - Alimentação
Voltar aos sumos verdes
Ao décimo dia, decidi incluir o Whole30 (basicamente zero glúten que me incha qual balão de ar quente...)
-----------------------
Mente - exercício
Meditação, todos os dias (humm...)
-----------------------
Mente - Alimentação
Zero televisão, excepto documentários
Ler pelo menos um livro de não ficção
Complemento:
Escrever mais no blogue
Costurar bastante (à noite, por exemplo, quando não estamos a ver o Broadchurch, o Better Call Saul ou o Game of Thrones - dispensa link - que vai começar durante a Quaresma...)
E é muito isto. Confesso que não gosto nada da parte de não poder ver séries, já que televisão praticamente não vejo... Mas estava a precisar de uma motivação qualquer para voltar à alimentação saudável, que isto entrou em modo alarve no Natal e desde então tem sido uma desgraça.
Quem não nos conhece pode achar que somos malucos. Quem nos conhece, também, mas já estão mais ou menos habituados às nossas manias. Eu respondo-vos que toda a gente devia ter uma fase no ano em que entra numa espécie de contenção e introspecção que fosse para além dos primeiros 5 dias do ano novo... Pode não nos fazer aquele bem desgraçado, mas mal também não faz.
E começou hoje. Ámen.
17 de fevereiro de 2015
Panquecas, com amor
Na cama, já acordados, diz-me ele, a ler as últimas do Facebook:
- Hoje é o dia mundial das panquecas.
- Então temos de fazer panquecas para o pequeno-almoço.
- Parece que sim.
20 segundos depois, lembro-me:
- Hoje também é o dia mundial do gato.
- Também queres fazer gato para o pequeno-almoço?
E eu ri-me. Ri-me mais do que a piada merecia. Acontece muitas vezes ele dizer certas piadas porque já sabe que me vou rir muito, sempre da mesma piada, sempre como se fosse a primeira vez que a oiço, sete anos depois de a ouvir pela primeira vez. E o mais engraçado é que nem têm tanta piada assim. Eu é que lhes acho graça. Acho que é isto o amor.
14 de fevereiro de 2015
Algumas regras básicas para tradutores
É preciso dizê-lo com sinceridade: ser freelancer nem sempre é pêra doce. Tudo é muito bonito quando conseguimos organizar o nosso horário e sair às 11 da manhã para ir fazer o buço ou marcar férias para quando nos apetecer sem ter de pedir autorização a ninguém. Mas quando o trabalho aperta, como tem sido nas últimas três semanas, não só não há tempo a perder com coisas que não sejam indispensáveis, como a vida pessoal e familiar acaba por levar por tabela. No entanto, aceitar os trabalhos que nos pedem é, muitas vezes, uma decisão ponderada, muito mais do que uma questão de sobrevivência.
Há vários factores a ter em conta, como a relação custo/benefício, que foi uma das poucas coisas que retive da aula de Economia na pós-graduação de Tradução Económica, talvez por todos os meses lhe achar um sentido prático: será que o retorno financeiro que este trabalho me vai proporcionar compensa os sacrifícios pessoais que vou ter de fazer para o executar? É a tal história do tempo e da liberdade que o dinheiro não compra. Estou a falar, no meu caso em concreto, de três fins-de-semana seguidos em que passo, pelo menos, o sábado a trabalhar, em que cancelo encontros de amigos, em que falto a almoços, em que mando as miúdas para a avó ou com o pai para o centro comercial... As pessoas dizem-me: ser freelancer é assim, tens de aproveitar o trabalho enquanto há. É verdade, principalmente no início, como eu, que ainda nem fez 6 meses que trabalho por conta própria. E mesmo quando tentamos organizar as coisas de modo a meter todo o trabalho durante a semana, há sempre que contar com os imprevistos, com as falhas técnicas, com os programas que empancam, os computadores que avariam. Esta semana, por exemplo, vi-me obrigada a trabalhar no sábado, hoje, porque perdi a tarde de quinta e a manhã de sexta com problemas técnicos. Mas o que me irritou mais nem foi isso. O que me irritou mais foi ser por causa de um trabalho que aceitei sem saber porque o fiz. Aceitei um dos tipos de tradução por causa dos quais me despedi, num software que odeio sobre um tema que odeio, ao preço mínimo aceitável. Estariam reunidas todas as condições para recusar o trabalho. A acrescer a isto, este mês já estou financeiramente relaxada e não precisaria de fazer fretes para pagar as contas. É claro que nunca sabemos como será o mês seguinte e nunca se diz que não a um extra a que recorrer quando o trabalho falta.
Mas aceitei o trabalho quase sem pestanejar. E porquê, perguntam vocês? Primeiro porque tenho o cliente em grande estima. É um cliente que me conhece há bastante tempo, sabe como trabalho, confia em mim e eu, por minha vez, confio nele, conheço a mecânica da casa e sei que pagam a horas. É uma situação win-win e, por vezes, há que fazer alguns fretes para manter os clientes satisfeitos. Mas, em parte, foi também por burrice pura que aceitei o trabalho. É que me arrependi logo porque antevi três dias de grande frustração. Além disso, quando aceitei o trabalho com prazo para terça de Carnaval, esqueci-me que as miúdas não têm escola na terça de Carnaval, logo, teria de terminar o trabalho antes. Quando começaram os problemas técnicos, então, toda eu bufava, porque o trabalho se estava a empurrar exactamente para o dia em que não podia trabalhar. E isto fez-me pensar muito ali na tal questão da relação custo/benefício e em algumas regras básicas para aceitar traduções. São elas:
Há vários factores a ter em conta, como a relação custo/benefício, que foi uma das poucas coisas que retive da aula de Economia na pós-graduação de Tradução Económica, talvez por todos os meses lhe achar um sentido prático: será que o retorno financeiro que este trabalho me vai proporcionar compensa os sacrifícios pessoais que vou ter de fazer para o executar? É a tal história do tempo e da liberdade que o dinheiro não compra. Estou a falar, no meu caso em concreto, de três fins-de-semana seguidos em que passo, pelo menos, o sábado a trabalhar, em que cancelo encontros de amigos, em que falto a almoços, em que mando as miúdas para a avó ou com o pai para o centro comercial... As pessoas dizem-me: ser freelancer é assim, tens de aproveitar o trabalho enquanto há. É verdade, principalmente no início, como eu, que ainda nem fez 6 meses que trabalho por conta própria. E mesmo quando tentamos organizar as coisas de modo a meter todo o trabalho durante a semana, há sempre que contar com os imprevistos, com as falhas técnicas, com os programas que empancam, os computadores que avariam. Esta semana, por exemplo, vi-me obrigada a trabalhar no sábado, hoje, porque perdi a tarde de quinta e a manhã de sexta com problemas técnicos. Mas o que me irritou mais nem foi isso. O que me irritou mais foi ser por causa de um trabalho que aceitei sem saber porque o fiz. Aceitei um dos tipos de tradução por causa dos quais me despedi, num software que odeio sobre um tema que odeio, ao preço mínimo aceitável. Estariam reunidas todas as condições para recusar o trabalho. A acrescer a isto, este mês já estou financeiramente relaxada e não precisaria de fazer fretes para pagar as contas. É claro que nunca sabemos como será o mês seguinte e nunca se diz que não a um extra a que recorrer quando o trabalho falta.
Mas aceitei o trabalho quase sem pestanejar. E porquê, perguntam vocês? Primeiro porque tenho o cliente em grande estima. É um cliente que me conhece há bastante tempo, sabe como trabalho, confia em mim e eu, por minha vez, confio nele, conheço a mecânica da casa e sei que pagam a horas. É uma situação win-win e, por vezes, há que fazer alguns fretes para manter os clientes satisfeitos. Mas, em parte, foi também por burrice pura que aceitei o trabalho. É que me arrependi logo porque antevi três dias de grande frustração. Além disso, quando aceitei o trabalho com prazo para terça de Carnaval, esqueci-me que as miúdas não têm escola na terça de Carnaval, logo, teria de terminar o trabalho antes. Quando começaram os problemas técnicos, então, toda eu bufava, porque o trabalho se estava a empurrar exactamente para o dia em que não podia trabalhar. E isto fez-me pensar muito ali na tal questão da relação custo/benefício e em algumas regras básicas para aceitar traduções. São elas:
1 - Nunca negociar prazos sem ter a agenda à frente, especialmente ao telefone, enquanto estamos a caminho de ir pôr as miúdas à escola. São distracções mais do que suficientes para dizermos que sim irreflectidamente.
2 - Nunca aceitar uma tradução sem ver o original primeiro. Quando me disseram que era um catálogo, pensei que podia ser um catálogo com descrições de produtos, com um registo algo comercial e frases publicitárias, coisa que até nem me desagrada muito. Mas não me disseram que era um catálogo daqueles só com listas de produtos e descrições crípticas e abreviadas, sem perceber se pedem o plural, o feminino, o masculino ou o quê. E isso é coisa para, além de exasperar, levar o dobro do tempo. Tempo que já não temos porque não olhámos para a agenda...
3 - Se me disserem que é para usar um determinado tipo de programa que eu odeio, é meio caminho andado para recusar o trabalho, educadamente, com outra desculpa, mas recusar. Nem sempre temos de fazer fretes. Afinal, despedi-me exactamente para não ter de fazer fretes destes, certo? Pois.
4 - Quando, apesar de tudo isto, aceito o trabalho, pois então paciência. Tenho de me aguentar, desenrascar e entregar um trabalho irrepreensível. Acima de tudo, temos de ser profissionais.
5 - Se se aplicar o ponto 4, aplica-se também a lei da recompensa: tirar um dia, uma semana, o resto do mês de folga.
Posto isto, estou seriamente a pensar não aceitar mais nada para além dos trabalhos que já me foram atribuídos este mês e que já me vão dar que fazer, mas não me vão obrigar a trabalhar fora de horas. Queria ver se ainda acabava o quilt da Inês este mês... tenho tudo pronto para o acabar numa tarde de costura... Vou mesmo convencer-me de que isso é mais importante para a minha sanidade mental do que passar mais um sábado a trabalhar...
Porque nem tudo são más notícias, a ver se em breve escrevo sobre as coisas boas de ser freelancer. Porque as há e não são poucas. Valha-nos isso.
13 de fevereiro de 2015
Do desfile e outras coisas
O tema era: cientistas. As mães da sala dos 4 anos coordenaram-se e mandaram os filhos todos vestidos à cientista para o desfile de Carnaval. Havia verdadeiras obras de arte, como um tubo-de-ensaio-que-explodiu-andante. A minha cientista, apesar de me ter custado um serão, nem era das mais aprimoradas, confesso, mas estava muito bem enquadrada. E quando anunciaram o primeiro prémio para a nossa sala, fiquei verdadeiramente eufórica.
Eu-fó-ri-ca.
O que me leva a duas conclusões. Ou 1. a minha semana foi tão má e aborrecida que o desfile de Carnaval da escola foi mesmo o momento alto ou 2. então aquilo de que a felicidade dos nossos filhos é também nossa é mesmo verdade. Mas isto também não faz sentido, porque a Inês desfilou contrariada e estava mais carrancuda do que a própria Marie Curie (a Inês foi vestida à Marie Curie, porque eu achei que era mais fácil coser o símbolo da radioactividade, embora as semelhanças físicas fossem... poucas...). E a Alice apercebeu-se tanto do que se passava como uma mosca no Coliseu.
Portanto, a minha semana foi mesmo má.
E por isso vim para a Cooperativa beber uma mini enquanto os homens jogam snooker e as miúdas se pavoneiam com as batas de cientista e os cabelos esbranquiçados do pó de talco.
É sexta-feira ao final do dia.
Assim vai a vida no campo.
5 de fevereiro de 2015
Uma espécie de avental para sair à rua
Já temos vencedor. A ajuda do público não deixou margens para dúvidas: padrão retro com ele. Ou ela.
Este molde é super fácil de executar (molde Elsie da Citronille). É só cortar o tecido em duas peças iguais (se fizermos a versão com forro), e depois coser a toda a volta, deixando um espaço aberto para virar o tecido do avesso. Eu é que compliquei com o bolso, que tive de fazer duas vezes, porque o primeiro ficou torto e o segundo... bom, ficou demasiado pequeno para a minha mão. Pode ser que antes de vir o tempo quente me apeteça descoser e voltar a coser um bolso novo... Se não, fica só para enfeitar!
De qualquer maneira, achei o resultado final engraçado.
Prontinho para usar quando vier a Primavera.
3 de fevereiro de 2015
Alexandra
"Conseguiu adiantar alguma coisa? Ele respondeu minutos depois: Não se preocupe :) :) :) . . . os problemas hadem ser resolvidos ! . . . Fiquei hipnotizada. Espaços entre os pontos das reticências? Caralho, a minha vida é rever gralhas. Aquilo não era uma gralha. Aquilo era a chamada da selva, onde a vida e a gramática podem enfim recomeçar."
in O meu amante de domingo, Alexandra Lucas Coelho
Porra, isto é a minha vida, pensei, rever gralhas, pensei, sentada no café por detrás da rua principal da estrada que leva à vila, enquanto comia uma quiche excessivamente aquecida. Excepto que eu não tenho nenhum amante de domingo. Ou de qualquer outro dia da semana, ressalve-se. E continuei a ler O meu amante de domingo com aquela sofreguidão de quem não se deixa enredar por um bom livro há demasiado tempo. E foi assim que vim a correr para casa, quase literalmente, não fosse ter começado a chover, para vos contar que ainda mal o comecei a ler e já o acho o livro do século.
1 de fevereiro de 2015
Ajuda do público!
Nem quero acreditar na minha sorte. Hoje, num domingo com toda a gente em casa, consegui começar e quase terminar um molde da Citronille que comprei há quase um ano... Há a versão com forro e a versão sem forro, mas para ficar mais engraçado, decidi fazer a versão com forro num padrão diferente. Porém, no final, acabei por gostar mais do forro e é aqui que os meus queridos leitores entram. Preciso da vossa ajuda para decidir que lado usar (isto só porque ainda não me lembrei de nenhuma maneira fácil de fazer a coisa reversível).
Trata-se do molde Elsie e inicialmente era para assentar mais ou menos assim:
| Frente |
| Verso (isto é traje para usar com uma camisola por baixo, claro...) |
Mas depois lembrei-me que vou, certamente, usar isto muitas vezes com calças de ganga e... ganga com ganga... bom, já não estamos nos anos 80...
Então experimentei o avesso. E gostei.
Entretanto, lembrei-me que seria interessante adicionar um bolso à frente, para guardar chaves ou chuchas, elásticos para o cabelo ou peças dos Pinypons...
Foi então que surgiu a dúvida. Frente ou verso? Ganga ou padrão retro? De qual gostam mais?
Também podem ser sinceros e dizer que não gostam de nenhum. Mas sejam amiguinhos...
(Ah, sim, e esta sou eu (para quem não conhece)! Já era tempo de mostrar a cara aqui no blog. Pena o cabelo desgrenhado, mas este é mais ou menos o meu estado normal...)
30 de janeiro de 2015
Treino
Ultimamente, quando chego a casa de ir buscar as miúdas ao colégio, ganhei o hábito de ir para o quarto das brincadeiras/costura, em vez de ir para a sala ou a cozinha fazer sabe-se lá o quê, como o jantar.
É óbvio que elas (ainda) preferem estar onde eu estou e, embora no início fosse um pouco caótico, agora conseguimos estar as três a fazer coisas diferentes, numa harmonia inusitada. Quando digo "estar as três a fazer coisas diferentes" quero dizer que não estou com nenhuma ao colo e que consigo, efectivamente, fazer as minhas coisas (quase) sem interrupção: eu costuro ou simplesmente arrumo os meus tecidos (o que pode ser igualmente relaxante), e elas, cada uma à sua maneira, brincam com as suas coisas. Ainda não brincam muito juntas e, quando acontece, acaba sempre com alguma a chorar ao fim de dois minutos, por isso prefiro assim. Tanto que, num dia normal de trabalho, isto é, num dia em que não tenho mesmo tempo nenhum para descer cá abaixo sorrateiramente e tirar o pó à máquina, é dos poucos momentos do dia/da semana em que consigo costurar alguma coisa. De vez em quando, a Alice vem agarrar-se à minha perna, eu dou-lhe um beijinho e logo lhe desvio a atenção para outro brinquedo muita giro, enquanto a Inês pinta ou desenrola uma daquelas cenas de faz-de-conta de que gosta tanto. É relaxante. Harmonioso. Perfeito.
Esta cena pacífica, harmoniosa, perfeita costuma durar... dez minutos. Mas hoje durou vinte! O meu objectivo é treiná-las para que me deixem estar ali duas horas.
Presumo que daqui a cinco anos consiga.
Presumo que daqui a cinco anos consiga.
22 de janeiro de 2015
Mas quem é que ainda lê (livros)?
No cabeleireiro, saco do meu livro enquanto espero que a tinta faça efeito.
- Quer uma revista?
Mostro-lhe o livro.
- Ah, tem um livro. Mas se quiser uma revista, diga.
Passados 2 minutos:
- Tem a certeza de que não quer uma revista?
14 de janeiro de 2015
Da sensibilidade
Diálogo anos balneários da piscina:
Eu: Inês, porque é que não quiseste dar mergulhos?
Inês: Porque me entra água para o nariz.
Eu: Mas o professor já te ensinou um truque para isso. Tens de aprender a mergulhar para, no Verão, poderes dar mergulhos na praia.
Inês: Mas eu não quero dar mergulhos no mar. Há tubarões!
Eu: Não há nada. Eu já te expliquei que na praia de Sesimbra não há tubarões.
Diz a senhora que estava ao lado a vestir o neto:
- Ai, há, há! Ainda no ano passado apareceu um no Cabo Espichel, não viu as notícias? E o meu irmão, que faz mergulho, também já viu um tubarão martelo. Ai não que não há tubarões...
Ele há gente que tem uma sensibilidade inata, disso não há dúvida.
12 de janeiro de 2015
Os animais são nossos amigos
Acabei de apanhar, na minha cozinha, uma espécie de mini-escorpião com cauda bifurcada, com uma folha de papel, com todo o cuidado para não o magoar, e deitá-lo à rua.
O campo está-me a mudar. Não tarda e estou a apanhar louva-deus com a mão.
Not.
8 de janeiro de 2015
(entretanto)
(entretanto pus-me a escolher fotos. e oh, mas oh que excelente exercício para nos deixar com um sorriso nos lábios durante, pelo menos, duas horas!)
Ideias que me "tiram do sério"
Sair da minha zona de conforto não é só correr ou deixar de esconder a minha pequena deficiência. Há uma coisa que me deixa extremamente angustiada, mas que, em contrapartida, faz a minha filha extremamente feliz: ir à escola ler uma história aos meninos. Santo deus, só de pensar nisto fico com azia. Eu costumo dizer que não tenho jeito para crianças, só para as minhas, porque são minhas e uma pessoa perde a vergonha com os da casa. Com todas as outras crianças, chego a ter medo que se metam comigo. Isto é uma parvoíce, claro, porque as crianças não estão nem aí para a minha vergonha. E a primeira vez que fui ler uma história à sala da Inês, o ano passado, foi uma experiência fascinante. Não só consegui com que os miúdos estivessem sossegados a ouvir, como no fim eles interagiram muito bem e adoraram as fotografias de animais selvagens que levei (tinha a ver com a história e com o projecto anual). Depois até fiquei com pena de só ter ido ler a história no fim do ano lectivo e de não poder repetir, mas prometi a mim mesma que todos os anos iria à sala da Inês (e da Alice quando ela for mais velha) ler uma história aos meninos.
Este ano lectivo ainda não tinha tido coragem. O tema do projecto não tem muito a ver comigo e usei-o como desculpa para ainda não ter proposto nenhuma actividade à educadora. Mas no primeiro dia de aulas de Janeiro, ganhei coragem e sugeri à educadora ir ler uma história que não tenha a ver com o projecto. Ela aceitou (na verdade, ficou toda contente, não devem ser muitos os pais que têm tempo para ir ler uma história às 10 da manhã) e marcámos para a semana.
Confesso, estou a tremer. Não só tenho de ler uma história, como também de fazer uma actividade relacionada com a história. Mas sei que, no final, a experiência vai ser mais do que positiva, vou ficar muito satisfeita comigo, por ter conseguido, e vou deixar a Inês muito orgulhosa da sua mamã.
Então, como este ano optei pelo tema "Felicidade", pensei levar um de dois livros que tenho lido à Inês que tratam deste tema. São eles:
Depois, pensei em fazer uma actividade de desenho, pintura e colagem com eles, na qual lhes proponho que pensem no que os faz feliz (comer um gelado, ir à praia, dormir em casa dos avós, etc.), fazer um desenho alusivo e depois colar todos os desenhos numa cartolina gigante. Seria o placard da felicidade, com inúmeras sugestões. Para tirar ideias, trouxe da biblioteca um livro que ao princípio me pareceu parvo, mas agora há livros que ensinam a fazer coisas com os filhos?, mas que, ao folheá-lo, me apercebi que tem ideias muito giras para sermos uma família criativa.
Chama-se "365 actividades para fazer com os seus filhos" e, à falta de imagens no livro, há um blogue que complementa o livro. Espreitem aqui.
Encontrei imensas ideias para desenvolver o tema da felicidade, tais como o caderno das coisas boas (um pouco à semelhança do Livrinho da Gratidão), o quadro dos sonhos, o livro da minha vida, o pote das coisas de que mais gostamos, jogo do abecedário da gratidão, e imensas outras actividades de pintura e manualidades, reciclagem e jogos. Acho que não consigo retirar grande coisa para a sala de aula, mas consigo certamente retirar ideias cá para casa.. Inclusivamente, já pus a miúda em pulgas com a ideia de fazermos um caderno da felicidade com base em fotografias dela a fazer as coisas de que mais gosta. Tanto que hoje de manhã me perguntou: "Mamã, depois da escola podemos ir à loja imprimir as fotografias?"
Raça da miúda.
6 de janeiro de 2015
What goes around, comes around - visto pelo prisma positivo
Nas minhas leituras sobre psicologia positiva e a forma como posso ensinar o meu cérebro a pensar de forma positiva, um autor leva ao outro, vejo este vídeo e aqueloutro, e há certos termos e sugestões que saltam à vista. Uma das coisas que me tem chamado à atenção, e que vejo recorrentemente, além da gratidão e da meditação, são os actos aleatórios de bondade (Random Acts of Kindness) e a forma como os nossos comportamentos podem gerar o efeito bola de neve.
Ao pensar nas estratégias profissionais a tomar este ano, o Tiago sugeriu que podia enviar um e-mail de bom ano a todos os meus clientes e gestores de projectos das várias empresas de tradução com quem já contactei, por forma a fazê-los lembrarem-se de mim. Muitas vezes, estas agências trabalham com listas de tradutores que vão contactando conforme a necessidade aperta. Ora, se eu não estiver nos primeiros lugares dessas listas, só serei contactada em última necessidade, duas ou três vezes por ano. Não é esse, de todo, o meu objectivo para ter uma carreira bem-sucedida.
Achei uma boa ideia e resolvi despender uma hora a enviar e-mails personalizados apenas a desejar um bom ano a toda a equipa e desejos de uma boa colaboração profissional entre nós.
Acho que não estava à espera que me respondessem. Pensei que tivessem mais que fazer do que responder a e-mails de bom ano, mas a verdade é que esta acção surtiu mesmo o efeito desejado. Nem todos me responderam, claro, alguns talvez ainda o farão. Outros não. Mas alguns, talvez metade, respondeu a agradecer e desejar-me os mesmos votos de volta, comentando ainda que "ainda hoje tínhamos falado em si", o que eu não sei se é verdade, mas mesmo que não seja, dá que pensar. Se eu tivesse ficado quieta, este gestor de projectos até podia ter pensado em mim para um determinado trabalho, mas logo cairia em saco roto se, por acaso, não tivesse recebido um e-mail exactamente da pessoa em quem tinha pensado para aquele trabalho.
Pelo caminho, resolvi enviar também votos de bom ano aos meus antigos chefes, por sentir que as coisas tinham ficado mal resolvidas entre nós e me querer livrar deste peso. E-mail para aqui, e-mail para ali, e parece que afinal está tudo bem e que os mal-entendidos ficaram lá longe em 2014.
Os anglófonos têm uma expressão que designa exactamente aquilo que consegui com estes insignificantes e-mails: "to set things in motion". Pôr as coisas a andar, em movimento, desencadear alguma coisa que, neste caso, só pode ser boa.
Depois fui correr o meu segundo treino do ano e foi um treino de merda e fiquei tão cansada com tanta dor no pé que pensei "mas que raio de resolução" e só me apeteceu chorar, mas, pronto, não, a gente não desmotiva.
4 de janeiro de 2015
Este ano vai ser diferente
Se ainda estivesse a trabalhar por conta de outrem, neste momento (às 16:15 de domingo) estaria a entrar no modo neura porque amanhã recomeça a semana de trabalho, principalmente depois desta época festiva, em que as miúdas ficaram em casa e o pouco trabalho que tive me deu um gostinho de férias. Logo à noite, estaria insuportável, ansiosa e deprimida, simplesmente porque amanhã tenho de voltar ao trabalho, sentar-me ao computador, deixar de fazer as coisas de que gosto para passar o dia a traduzir textos aborrecidos. Iria passar o dia a suspirar, com um mau-humor descomunal e a contar as horas para me ir embora.
Tenho a certeza de que sabem do que estou a falar.
Mas este ano não sinto nada disso. Confesso até que estou ansiosa pela positiva, excitada por finalmente retomar a rotina, expectante para ver que trabalhos me calharão na rifa ou que clientes me contactarão. Não espero ter muito trabalho este mês. Como já aqui disse, Janeiro costuma ser um mês meio parado no mundo da tradução. Mas, em vez de me lamentar, vou investir o tempo naqueles trabalhos que não pagam a curto prazo, como organizar e optimizar o meu sistema de trabalho, preparar notas de honorários e facturas predefinidas, melhorar o meu website profissional para poder, finalmente, mostrá-lo ao mundo (na verdade, já está online, mas ainda está longe de ser perfeito) e preparar uma nova estratégia de marketing dos meus serviços.
É por estas e por outras que não me arrependo da decisão que tomei há uns meses de me tornar freelancer. É claro que, em termos financeiros, um mês com pouco trabalho não augura nada de bom, e mentiria se dissesse que não estou preocupada com isso. Mas aprendi que há outras coisas que compensam a falta de dinheiro para extras, desde que haja dinheiro para o essencial, e isso felizmente não faltará. A liberdade que sinto e a alegria pelo que faço são a melhor recompensa.
Por isso, e porque ainda tenho dúvidas sobre a melhor forma de abordar uma carreira freelance bem-sucedida, contribuí para que o projecto da Monika Kanokova vá para a frente, um livro, intitulado "This year will be different" que reúne entrevistas a mulheres empreendedoras (inclusive a uma portuguesa) que se tornaram freelancers, com truques e dicas para ser bem-sucedida. O sucesso no feminino para quem, como me aconteceu a mim, sente que tem de dar o passo, mas não sabe como ou não tem coragem. Sei, pelo menos, de uma querida leitora que anda a pensar nisto. Toma, é para ti.
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Para saber como contribuir, saibam mais aqui. Eu já tenho o meu exemplar digital assegurado.
Este ano vai mesmo ser diferente.
Este ano vai mesmo ser diferente.
3 de janeiro de 2015
Na semana da Gratidão
Ia chorando* quando me apercebi que a Inês já não trazia o cachecol de crochet que fiz para ela quando estava grávida da Alice. A minha primeira peça de croché. Eu, que não sou nada apegada às coisas, vejo-me muito comichosa quando se trata de coisas feitas à mão por mim. E foi por isso que chegar ao carro e ter esta surpresa
me encheu o coração.
Alguém tinha encontrado o cachecol e adivinhado que era nosso. Ia chorando* outra vez, mas desta feita por gratidão. Nem de propósito. Seria tão bom que o meu livrinho da gratidão se começasse a encher de coisas bonitas como esta.
* que é como quem diz... Posso andar a ler tolices delicodoces sobre felicidade e hábitos zen, mas ainda não me emociono com imagens de cãezinhos Scottex, sim?
2 de janeiro de 2015
Diário da felicidade
Contexto
O Tal Ben-Shahar foi professor de Psicologia Positiva em Harvard e é o autor de best sellers sobre a temática da felicidade. Num dos seus livros, Even Happier, Tal Ben-Shahar incita os seus leitores a manterem uma espécie de diário da felicidade, em que registam, semanalmente, as coisas pelas quais estão gratos e diversos pensamentos e exercícios propostos pelo autor para cada semana. Assim, a Semana Um foca-se na Gratidão, a Semana Dois nos Rituais, a Semana Três no Exercício Físico, e assim por diante, durante 52 semanas. Se quiserem conhecer outras versões deste projecto, a Mum´s the Boss já o pôs em prática em 2012.
Paralelamente, e porque ressuscitei o meu Kindle dos mortos, estou a reler o The Happiness Project da Gretchen Rubin e a tirar as devidas notas digitais e mentais para o primeiro mês do ano. Voltarei a falar disto mais tarde.
No campo profissional, o meu homem trouxe ao meu mundo a Passion Planner, à qual estou a decicar a máxima atenção para tirar o melhor partido de uma agenda que é muito mais do que um calendário: para além da calendarização normal de tarefas, permite elaborar listas de coisas para fazer, a nível pessoal e profissional, fazer listas de desejos e prioridades, criar um plano para alcançar os nossos objectivos, e fazer um balanço no final do mês. Vou experimentar primeiro a versão PDF (disponível aqui, se partilharem o projecto com os vossos amigos no Facebook) e, se me der bem, talvez compre a versão encadernada.
29 de dezembro de 2014
Não são resoluções, são prioridades
Tenho pensado muito sobre o novo ano e o que eu quero que seja diferente no futuro. Não gosto de retrospectivas, mas 2014 foi um ano de mudanças - de casa, de distrito, de emprego - mudanças sérias na vida de uma pessoa. Ainda me estou a adaptar a essas mudanças e a tentar contornar alguns contratempos, como o facto de trabalhar em casa num meio pequeno a 45 minutos de Lisboa, sem trânsito, ser tão diferente de trabalhar em casa nos agitados subúrbios a 5 minutos de Lisboa. Mas sobre isso falarei mais tarde, pois estou a criar subterfúgios que me permitam sentir-me mais acompanhada.
Mas tudo isto vem com o tempo, assim como o construir uma rede sólida de clientes que me permita ter um fluxo de trabalho constante. Isso ainda não aconteceu. Tenho andado muito ao sabor da maré e a tentar perceber as flutuações do mercado. Ora não tenho mãos a medir, ora não tenho trabalho durante dias a fio. Sei que o mercado demora tempo a reagir e já tenho alguns trunfos na manga, alguns bons clientes com bons trabalhos e boas tarifas que ficaram contentes com o meu trabalho, mas que precisam de algum tempo para perceberem que me devem colocar na lista de tradutores preferenciais. Tudo isto leva o seu tempo, claro. Afinal, só estou por minha conta há três meses. Pela minha experiência, em Janeiro o mercado da tradução estará mais ou menos estagnado, por isso, em vez de andar a chorar pelos cantos, vou aproveitar o tempo para me dedicar à legendagem (que paga muitooo mal, mas é tão giro!), aos meus projectos pessoais e... às minhas resoluções.
Não são bem resoluções. Este ano, não me fez muito sentido fazer uma lista de coisas como ler mais, comer melhor, fazer mais desporto, fazer mais sexo. É claro que quero isso tudo, não necessariamente por esta ordem. Mas este ano sinto necessidade de, muito mais do que introduzir novos hábitos, mudar aquilo que não está bem. Comecei, então, a pensar no que não está bem. Pensei em como me tenho sentido ultimamente, comigo mesma e na minha relação com os outros, ou melhor, com a família mais próxima.
E a verdade é que me tenho sentido frequentemente muito infeliz. Zangada com a vida. Impaciente. Aborrecida. Colérica. A mais velha tem-me dado cabo do juízo com a forma peçonhenta como lida com a irmã mais nova. Eu tendo a sair em defesa da mais pequena, mas depois vem o pai e alerta-me para os perigos do meu comportamento. E depois ela porta-se mal, muito mal, mal ao ponto de estarmos a jantar com amigos e não conseguirmos conversar, e eu pergunto-me se não estará apenas a chamar a atenção. Não há dúvidas de que está. E eu pareço que ando sempre zangada com ela.
Ontem foi um dia especialmente mau. Depois de uma noite de apenas três horas de sono por causa de alguma coisa que afligiu a mais nova, coube-me a mim sair de casa com elas para o pai poder trabalhar descansado. Não vou descrever em pormenor o que aconteceu nas três horas que se seguiram e que incluíram um almoço desastroso, mas digamos que foi bastante aborrecido. As duas estavam nos seus piores dias e eu, privada de sono e de amor-próprio, cheguei àquele ponto em que comecei a ficar com os olhos marejados de lágrimas e tive sérias dificuldades em disfarçar.
Então, percebi. Percebi que tem havido um conflito constante no meu interior. Ora advogo as premissas da parentalidade positiva, ora desato a berrar quando ela faz disparates. Ora me ponho a ler as lamechices do Doutor Carlos González, ora sou de palmada fácil. E depois fico angustiada comigo própria e tenho insónias à conta disto. O não agir em consonância com aquilo em que acredito faz-me deixar de acreditar em mim, desacredita-me como mãe, como pessoa. E torna-me infeliz.
Mais do que uma resolução, esta vai ser a minha prioridade para 2015: agir de acordo com as minhas convicções, agir como me quero sentir, especialmente no que diz respeito à forma como educo as minhas filhas. Por muito que custe, e vai custar, e não vou conseguir sempre, mas quero focar-me nisso no início do ano, arranjar estratégias que me ajudem, para que as coisas comecem a fluir mais do meu agrado ao longo do ano.
A segunda prioridade, e fiquemos por aqui porque estas duas já me vão dar muito trabalho, tem a ver com a minha zona de conforto e os meus complexos. Para quem não está a par da minha história, pode lê-la aqui. Quem me conhece bem sabe que, até há alguns anos, eu não ia à praia, ou ia a muito custo e só com pessoas da máxima confiança, Sabe também que deixei de usar saias aos 12 anos, que não tomava banho em ginásios, que não corria, que não fazia ioga ou qualquer outra coisa que expusesse o meu pé e a minha perna a olhares e julgamentos. Porque as pessoas descriminam sem dar por isso. Está-nos no sangue, acho. A maior parte não faz por mal. Mas dói. Cresci a ouvir familiares, vizinhos, amigos dos meus pais, pessoas adultas portanto, a rotularem-me de "coitadinha" e "deficiente". Cresci a pensar que não podia correr nem fazer grandes caminhadas porque me doía o pé. E doía. Mas, já em adulta, fui percebendo que, por muito que me doesse ao princípio, o treino acabaria por mitigar as dores e quando comecei a correr, com motivos muito para além do estar em forma ou perder peso, comecei a acreditar que era possível, que afinal eu era igual aos outros, conseguia correr três, cinco, oito quilómetros, ainda que com dores, ainda que mais devagar, mas conseguia. Foi um grande passo para mim e para a minha auto-estima. É claro que precisei de alguma ajuda especialista nesse campo e foi graças a essa ajuda que comprei o meu primeiro vestido e o usei com botas altas há dois Invernos. Continuo a esconder, continuo a disfarçar, mas já não disfarço completamente e já não me importa muito se alguém estiver a olhar para as minhas pernas porque há algo de estranho ali, mesmo com botas. Já não quero saber o que pensam. Pelo menos no Inverno...
Mas houve um dia que, enquanto corria, um instrutor de desporto veio ter comigo perguntar se estava lesionada. Reagi bastante bem, contei-lhe o meu problema (há uns anos teria simplesmente inventado uma lesão) e falámos sobre como podia correr sem maltratar a coluna. Infelizmente, depois nunca mais consegui correr. O facto de alguém ter reparado que arrastava uma perna ao fim de três quilómetros foi o suficiente para perder a coragem de me continuar a expor. Voltei à minha zona de conforto e dela não saio há quase um ano. Entretanto, voltei ao ginásio, mas há pequenas nuances no meu comportamento no ginásio que indicam que estou prestes a deixar de lutar contra os meus complexos, como o facto de não tomar banho no ginásio. Uma coisa leva à outra e sei que, se continuar assim, todo o trabalho psicológico feito ao longo de dois anos vai por água abaixo, se não me obrigar a sair da minha zona de conforto de novo. Para ajudar à festa, no outro dia li este artigo no Público, pensei, porra, há gente com coragem e tive vergonha de mim por ter perdido a coragem.
E é por isso que vou voltar a correr. Não é por ser o desporto da moda agora (parece que ultimamente toda a gente começou a correr e a comer pão sem glúten), não é para emagrecer (se bem que, depois deste Natal...), não é para poupar dinheiro no ginásio. É mesmo para mostrar a mim própria que não há assim nada de tão errado comigo e que, pois claro, eu também sou capaz. Em suma, para ter mais confiança em mim. No fundo, para ser mais feliz.
Bom Ano.
Mas houve um dia que, enquanto corria, um instrutor de desporto veio ter comigo perguntar se estava lesionada. Reagi bastante bem, contei-lhe o meu problema (há uns anos teria simplesmente inventado uma lesão) e falámos sobre como podia correr sem maltratar a coluna. Infelizmente, depois nunca mais consegui correr. O facto de alguém ter reparado que arrastava uma perna ao fim de três quilómetros foi o suficiente para perder a coragem de me continuar a expor. Voltei à minha zona de conforto e dela não saio há quase um ano. Entretanto, voltei ao ginásio, mas há pequenas nuances no meu comportamento no ginásio que indicam que estou prestes a deixar de lutar contra os meus complexos, como o facto de não tomar banho no ginásio. Uma coisa leva à outra e sei que, se continuar assim, todo o trabalho psicológico feito ao longo de dois anos vai por água abaixo, se não me obrigar a sair da minha zona de conforto de novo. Para ajudar à festa, no outro dia li este artigo no Público, pensei, porra, há gente com coragem e tive vergonha de mim por ter perdido a coragem.
E é por isso que vou voltar a correr. Não é por ser o desporto da moda agora (parece que ultimamente toda a gente começou a correr e a comer pão sem glúten), não é para emagrecer (se bem que, depois deste Natal...), não é para poupar dinheiro no ginásio. É mesmo para mostrar a mim própria que não há assim nada de tão errado comigo e que, pois claro, eu também sou capaz. Em suma, para ter mais confiança em mim. No fundo, para ser mais feliz.
Bom Ano.
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