4 de dezembro de 2014

Dormir é coisa para fracos

Quando estava a mostrar a casa à nova empregada (abençoada seja!), chegámos ao quarto das crianças e eu, meio envergonhada, tentei justificar o cenário de batalha campal com camas desfeitas e dois colchões no chão. Pois, sabe, é que a mais velha agora recusa-se a dormir na cama dela, temos tido alguns problemas neste campo... Ao que ela responde, com a maior naturalidade do mundo, que isso era do mais normal que havia e que o filho do meio dela dormiu no chão até aos 7 anos (neste momento, apeteceu-me rebolar pelo chão a chorar e arrancar os cabelos).

Há umas boas semanas que eu só sei o que é dormir uma noite inteira na minha cama, ao lado do meu homem, se elas forem para a avó (abençoada seja!). Nas noites normais, por volta das duas da manhã, se não antes, lá vai um de nós para o quarto delas, porque a mais nova tem tosse e acorda a mais velha ou porque a mais velha tem pesadelos e acorda a mais nova, e acabamos por pôr cada uma em seu quarto com um dos pais e dormir o resto da noite em camas separadas. Quem fica com a cama de casal tem mais sorte do que quem fica no colchão no chão, mas depois de várias noites assim, não há disputas sobre o melhor colchão. A malta quer é dormir!
Não sei se isto de as crianças preferirem dormir no chão em vez de na cama deles é assim tão normal, pelo menos ainda nunca tinha ouvido casos destes. Dormir na cama dos pais? Já tinha ouvido. Os pais dormirem com os filhos na cama dos filhos? Já tinha ouvido. Os filhos preferirem dormir no chão e querem que os pais durmam com eles no chão? Nunca. (E vai daí...) Mas há sempre uma primeira vez para tudo e já não vão daqui sem terem aprendido uma coisa nova, que é: quem tem filhos não pode nunca cantar de galo. Ah e tal, eu nunca vou fazer assim. Não pode. Ah e tal, eu cá nunca vou fazer assado. Não pode. Especialmente quando os nossos objectivos parentais são comprometidos pela privação de sono. Não há volta a dar. Às duas da manhã a malta não quer saber do que não se pode e não se deve fazer nisto de educar, a malta quer é que elas parem de chorar, se enrosquem em nós quietinhas e nos deixem dormir.

Já pensei, no entanto, em várias formas de convencer a miúda a saltar para a cama dela e não sair de lá. Nenhuma envolve cordas e nós de escuteiro, estejam descansados. Pensei em coisas mais doces como suborná-la com chocolates (check!), coisas mais lúdicas como mostrar-lhe vídeos do Anselmo Ralph (check! and don't ask!) ou coisas mais pirosas como comprar-lhe um edredon da parva da Violetta. Not check, porque mãe (ainda) tem limites! 

Por isso venho aqui pedir encarecidamente que me inundem com as vossas sugestões infalíveis para convencer a Inês de que a cama dela é que é. Preciso muito de ajuda. Já estou a chegar àquele ponto em que, quando me vou deitar, penso se valerá a pena deitar-me na minha cama...


5 comentários:

  1. Dormir no chão não, mas os meus eram adeptos do ir dormir para a cama dos pais a meio da noite, o que acabava invariavelmente com pai a dormir no sofá da sala, mãe a dormir a um cantinho da cama com filho a dormir encostadinho (ou em cima) à mãe e mãe a passar o resto da noite a ser agredida com pontapés e murros! O que nós fizemos foi começar por falar com eles e explicar-lhes porque é que eles tinham de dormir na cama deles e não na cama dos pais, depois a fazer cara feia de cada vez que eles apareciam a meio da noite e depois a pegar neles pela mão e a levá-los de volta para a cama deles e a festejar cada noite que eles dormiam na cama deles sem nunca aparecerem! Foi um processo demorado (principalmente com o mias novo) e cansativo mas que deu resultado... mas lá está, cada criança é uma criança e nem todas reagem da mesma forma! Boa sorte para a vossa árdua tarefa!

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    1. Houve uma altura em que ela ia para a nossa cama a meio da noite. Fizemos isso que dizes e resultou. Esteve bastante tempo a dormir na cama dela. Mas agora deu-lhe para isto...

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  2. Não percebo grande coisa disto, mas ela não quer a cama porque tem medo, certo? Se for esse o caso porque não inventares um spray mágico (pode ser água termal) e antes de a deitares borrifas o quarto com aquilo e fazes a lenga lenga do "AH e tal este spray é espetacular e dá super poderes e a tua cama fica protegida e deita-te nela como as princesas que depois têm as fadas para as proteger...

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  3. O meu rapaz adorava dormir no chão. Como aqui o chão é aquecido, nunca me opus. Achava estranho, mas desde que dormisse... Foi uma fase, não me pareceu que valesse a pena estar-me a preocupar... Passou!

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